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Mas afinal, que tipo tipo de sujeito é esse?

Written By Otoniel Peixoto on 7 de mar. de 2019 | 18:54

O sujeito admite diferentes classificações, dependendo de como se apresenta na oração. Ele pode ser determinado ou indeterminado.

O sujeito determinado  

Sujeito determinado é aquele que, como o próprio nome indica, pode ser identificado na estrutura da oração. Pode ser de três tipos: simples, composto e desinencial.
A classificação do sujeito determinado não ocorre em relação à ideia que a palavra traz. Não se prenda a ideia, o que vale é a quantidade de núcleos.
Conforme vimos no primeiro texto desta série sobre sintaxe, o núcleo é a palavra base do sujeito, é a palavra mais importante. Em "A Carla foi comprar livros", o sujeito é "A Carla" e o núcleo do sujeito é "Carla".
Sujeito simples - aquele que possui um só núcleo. 
Ex.:
  • O menino estudou bastante.
  • As pessoas saíram.
  • Alguém esteve aqui.
Sujeito composto - Possui dois ou mais núcleos. 
Ex.:
  • João e Maria saíram.
  • O Brasil e o Chile são países latino-americanos.
Sujeito desinencial, elíptico ou implícito - é expresso pela desinência verbal, está subentendido.
Ex.:
  • Fizeste um bolo. (TU)
  • Estivemos em Recife. (NÓS)
 Resumindo...

O sujeito indeterminado

Existem ocasiões em que, por não querer ou não ter condições de identificar o sujeito, o falante indetermina-o. Essa indeterminação pode se dar por meio de duas estruturas sintáticas:
Neste caso, o sujeito não está expresso na oração, e nenhum outro termo fornece elementos para o seu reconhecimento. Nessas orações, onde só o predicado está expresso, não se pode determinar sobre que (ou quem) recai a informação. 
A indeterminação do sujeito pode se dar por meio de duas estruturas sintáticas:
a) verbo na 3ª pessoa do plural (ELES), sem referência. 
Ex.:
Estiveram aqui.
Fizeram um bolo.
Quebraram a vidraça.
Observação: Há casos em que o verbo está na 3ª pessoa do plural, mas o sujeito não é indeterminado. Na frase a seguir, por exemplo, o contexto permite identificar o sujeito de picharam:
ATENÇÃO!
Se houver qualquer referência considerando-se  o contexto discursivo apresentado, o sujeito será desinencial. 
Ex.:
Os deputados adiaram a votação da lei orçamentária. Entenderam que o projeto ainda não estava completo. (Quem entendeu? "Os deputados" - sujeito simples implícito).
João e Fernanda saíram tarde de casa. Chegaram atrasados ao trabalho. (Quem chegou atrasado? "João e Fernanda" - sujeito composto implícito).
b) Verbo na 3ª pessoa do singular + SE                           
1º caso: VTI + SE + PREPOSIÇÃO
Ex.:
Simpatiza-se com bons alunos
- Simpatiza: verbo transitivo indireto
- Se: índice de indeterminação do sujeito
- Com: preposição
- com bons alunos: objeto indireto
Logo, o sujeito é indeterminado.
Observação: Quem simpatiza, simpatiza-se com... a preposição "com" é exigida pelo verbo. Observe também que essa frase não admite voz passiva analítica, veja: "Bons alunos com é simpatizado". Veja outros exemplos de sujeito indeterminado:
- Confia-se em alguém.
- Precisa-se de empregado.
- Precisa-se de secretário. 
2º caso: VI + SE (+ ADVÉRBIO) 
Ex.: Vive-se bem aqui.
Vive: verbo intransitivo
se: índice de indeterminação do sujeito
bem aqui: advérbios (como? onde?)
Não admite voz passiva analítica: "Aqui bem é vivido" (?)
Ex.: 
Trabalha-se muito naquela empresa. (advérbios: o quanto? onde?)
3º caso: VL + SE
 Ex.: É-se feliz naquela casa.
É: verbo de ligação
se: índice de indeterminação do sujeito
feliz: PDS (predicativo do sujeito, qualidade)
naquela casa: advérbio (onde?) 
Também não admite voz passiva analítica.
Ex.: Está-se satisfeito com os bons resultados.
PDS        complemento nominal
OBSERVAÇÃO 1: O pronome SE que acompanha o verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação (sempre na 3ª pessoa do singular) para indeterminar o sujeito é denominado índice de indeterminação do sujeito (IIS).
Ex.: 
Confia-se em pessoas honestas. (em quem?)
Necessita-se de mais compreensão. (de quê?)
Nos dois exemplos acima o sujeito é indeterminado (verbo + se + preposição). Note que a preposição depois do SE trava o verbo no singular.
*Nesse tipo de oração, a palavra se é denominada índice de indeterminação do sujeito. É importante notar que, com verbo + se, o sujeito só é indeterminado em orações que não admitem a transformação em locução verbal (voz passiva analítica). Compare estes dois exemplos:
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OBSERVAÇÃO 2: Caso o SE venha acompanhando um verbo transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI), será pronome apassivador ou partícula apassivadora (PA), admitindo, pois, voz passiva analítica. 
Ex.: Aluga-se sala comercial. (o quê?)
Aluga: VTD - verbo transitivo direto
se: PA - partícula apassivadora
sala comercial: sujeito simples
Admite voz passiva analítica: "Sala comercial é alugada".
O SUJEITO É SIMPLES.
3. SUJEITO INEXISTENTE, ORAÇÃO SEM SUJEITO
Apesar de o sujeito ser um termo essencial, há orações constituídas apenas de predicado. Os verbos utilizados nas orações sem sujeito são denominados impessoais. São sempre usados na 3ª pessoa do singular e, se acompanhados de verbos auxiliares, transmitem a eles sua impessoalidade. 
Ex.:
Fará vinte anos que me formei (e não, "farão").
Vai fazer vinte anos que me formei (e não, "vão fazer").
No sujeito inexistente tem sempre um verbo impessoal que caracteriza o sujeito inexistente. Este verbo impessoal só pode ser usado no singular.
Logo, dizemos que uma oração é sem sujeito quando ela não possui nenhum elemento ao qual o predicado possa ser atribuído. O que importa, nesse caso, é o fato verbal em si.
Orações sem sujeito só ocorrem com alguns verbos particulares, que, por não admitir sujeito, apresentam-se sempre na 3ª pessoa do singular e classificam-se como verbos impessoais. Veja, a seguir, os mais comuns.
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Observação: O verbo haver no sentido de "existir" é impessoal, mas o próprio  existir é pessoal, isto é, tem sujeito, com o qual concorda.
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O sujeito inexistente ocorre nas seguintes construções:
verbo HAVER (singular
Ocorrer, Fazer, Existir, Realizar-se e Acontecer
Ex.:
 alunos que estudam muito. (existem)
Houve muitos imprevistos. (aconteceram)
Houve uma grande festa. (realizou-se)
 muitos anos que não nos vemos. (faz)
DICA: Observe as primeiras letras dos verbos acima: "O FERA" (Ocorrer, Fazer, Existir, Realizar-se e Acontecer). Não se usa o verbo haver simplesmente no sentido de existir. Usa-se o verbo haver no sentido de ocorrer, fazer, existir, realizar-se e acontecer – O FERA. 
FAzer, Ser e Estar - estes verbos, indicará oração sem sujeito ou sujeito inexistente sempre que forem usados como tempo decorrido, hora, data ou fenômeno da natureza.
Ex.:
Faz meses que te espero.
Fez muito frio ontem.
Era cedo quando ela chegou.
Hoje é/são 20 de maio.
Estava um dia chuvoso.
Verbos que indicam fenômenos da natureza - chover, anoitecer, nevar, ventar, gear, trovejar, relampejar, etc.
Ex.:
Choveu ontem.
Trovejou muito em Vilhena.
Anoiteceu lentamente hoje.
Observação:
 Os verbos que exprimem fenômenos da natureza, quando usados em sentido figurado, deixam de ser impessoais.
Ex.:
Amanheci muito disposto hoje. (sujeito desinencial "Eu") Choveram denúncias de fraudes no INSS. (sujeito simples "denúncias de fraudes")
Expressões "basta de", "chega de", "passa de", também sempre formam orações sem sujeitos.
Ex.:
Basta de férias!
Chega de preguiça!
Já passa de uma hora. 
Observação: O verbo ser, impessoal, concorda com o predicativo, podendo, assim, aparecer também na 3ª pessoa do plural.
Ex.:
É uma hora da tarde.
Já são três horas da tarde.