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Linguagem, comunicação e interação

As pessoas se comunicam e  interagem entre si, ou seja, o que uma pessoa diz provoca uma reação na outra pessoa, e vice-versa. 

Assim, entre o filho e o pai, entre o genro e o sogro, entre irmãos, entre amigos, há comunicação, pois, todas essas pessoas, além de se compreenderem, também interagem, ou seja, o que um diz interfere no comportamento do outro. Logo, a comunicação ocorre quando interagimos com outras pessoas utilizando linguagem. 

Para se comunicar, as pessoas não utilizam apenas a linguagem verbal, isto é, as palavras. Elas também fazem gestos, se movimentam, fazem expressões corporais e faciais. Tudo isso é linguagem.

Linguagem, portanto, é um processo comunicativo pelo qual as pessoas interagem entre si. Então, temo a linguagem verbal, cuja unidade básica é a palavra (falada ou escrita) e as linguagens não verbais, como a música, a dança, a mímica, a pintura, a fotografia, a escultura, o gesto, o movimento, a imagem, etc. 

Existem, também, as linguagens mistas, como as histórias em quadrinho, o cinema, o teatro e os programas televisivos, que podem reunir diferentes linguagens, como o desenho, a palavra, o figurino, a música, o cenário, etc. Bem recentemente, com o advento da informática, surgiu a linguagem digital, que, valendo-se da combinação de números, permite armazenar e transmitir informações em meios eletrônicos.

As pessoas se inter-relacionam e interagem por meio da linguagem. Assim, pode-se dizer que a comunicação nascida da interação entre as pessoas é construída solidariamente por elas, que são interlocutores no processo comunicativo. Interlocutores são as pessoas que participam do processo de interação por meio da linguagem.

Aquele que produz a linguagem - aquele que fala, que pinta, que compõe uma música, que dança - é chamado de locutor, e aquele que recebe a linguagem é chamado de locutário. No processo de comunicação e interação, ambos são interlocutores.

O código
No Brasil, as pessoas se comunicam fazendo uso da língua portuguesa, que nada mais é do que um código verbal. Código é um conjunto de sinais convencionados  por um grupo de pessoas ou por toda a comunidade, para a construção e a transmissão de mensagens. São códigos a palavra oral e escrita e também os sinais de trânsito, os símbolos, o código Morse, etc.

A língua
A língua portuguesa é o código mais utilizado pelos brasileiros, nas mais diversas situações de comunicação e interação social. Por isso quanto maior o domínio que temos da língua, maioes são as possibilidades de nos comunicarmos com eficiência. 

O domínio de um a língua não se resume apenas no conhecimento do seu vocabulário; é preciso também dominar suas leis combinatórias. Observe os dois enunciados abaixo:
  1. Aumento segunda-feira na tem novo próxima gasolina.
  2. Gasolina tem novo aumento na próxima segunda-feira.
No primeiro enunciado podemos conhecer o sentido de cada uma das palavras, porém, ele nada significa, porque desrespeitou-se as leis de combinação das palavras. Veja como, na frase dois, a combinação das palavras da sentido ao enunciado. Assim, língua é um código formado por signos (palavras) e leis combinatórias por meio do qual as pessoas se comunicam e interagem entre si. 

A expressão signo linguístico foi criada pelo linguísta francês Ferdinand Saussure. Signo é um sinal convencional, uma unidade de um tipo de lingugem ou sistema de comunicação, isto é, a palavra, unidade básica da linguagem verbal. No código de trânsito, o sinal vermelho é um signo.

A língua pertence a todos os membro de uma comunidade. Ela faz parte do patrimônio social e cultural de cada coletividade. Como a língua é um código aceito por convenção, um único indivíduo, isoladamente, não é capaz de criá-la ou modificá-la. A fala e a escrita, entretanto, são usos individuais da língua. Mesmo assim, não deixam de ser sociais, pois, sempre que falamos e escrevemos, levamos em conta quem é o interlocutor e qual é a situação em que estamos nos comunicando.

Nem a língua nem a fala são imutáveis. A língua evolui, transformando-se historicamente. Por exemplo, algumas palavras podem ou ganham fonemas (sons); outros deixam de ser utilizados; novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, entre elas os empréstimos de outras línguas com as quais a comunidade mantém contato. A fala também se modifica, conforme a história pessoa de cada indivíduo, com sua formação escolar e cultural, com as influências que recebe do grupo social a que pertence, com suas intenções, etc.

A língua portuguesa, como as demais línguas neolatinas, originou-se do latim vulgar e surgiu em meados do século XII, ainda como galego-português. Durante a expansão marítima, no século XV, foi levada pelos portugueses a outros continentes. Hoje é falada por cerca de 200 milhões de habitantes em Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Macau, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste.

As variedades linguísticas
Cada um de nós começa a aprender a língua em casa, em contato com a família e com as pessoas que nos cercam. Aos poucos vamos treinando nosso aparelho fonador (os lábios, a língua, os dentes, os maxilares, as cordas vocais) para produzir sons, que se transformam em palavras, em frases e em textos inteiros. E vamos nos apropriando do vocabulário e das leis combinatórias da língua, até nos tornarmos bons usuários dela, seja para falar ouvir, seja para escrever ou ler. 

Em contato com outras pessoas, na rua, na escola, no trabalho observamos que nem todos falam como nós. Isso ocorre por diferentes razões:
  • porque a pessoa vem de outra região;
  • por ser mais velha ou mais jovem;
  • por possuir maior ou menor grau de escolaridade;
  • por pertencer a grupo ou classe social diferente.
Essa diferenças no  uso da língua constituem as variedades linguísticas. Variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada.

Entre as variedades da língua, existe uma que tem maior prestígio: a variedade padrão, também conhecida como língua padrão e norma culta. Essa variedade é utilizada na maior parte nos livros, jornais e revistas, em alguns programas de tv, nos livros científicos e didáticos, e é ensinada na escola. As demais variedades linguísticas - como a regional, a gíria, o jargão de grupos ou profissões (a linguagem dos policiais, dos jogadores de futebol, dos metaleiros, dos surfistas, etc.) - são chamadas genericamente de variedades não padrão.

Variedade padrão, língua padrão ou norma culta é a variedade linguística de maior prestígio social. Variedade não padrão ou língua não padrão são todas as variedades linguísticas diferentes da padrão.

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