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O exercício da leitura e sua importância para interpretar e compreender textos

Teoricamente, pode-se dizer que ler é decodificar uma mensagem que foi colocada no código da escrita. Mas isso é muito comum. Se fosse assim, bastaria conhecer as letras, seus sons correspondente, e por meio de um processo mecânico todas as pessoas que conseguissem traduzir os símbolos adquiririam o mesmo conhecimento. Mas sabemos que não é assim.

Podemos até dizer que num primeiro momento, o momento da aprendizagem da leitura, decodificar a mensagem escrita é o objetivo principal. Mas passada essa fase inicial, ler vai além de reconhecer os sons das letras. Uma leitura consistente requer uma boa análise da estrutura do texto. Deve-se reconhecer o gênero e o tipo que pertence. Identificar suas partes, entender seus objetivos.

Quando reconhecemos, por exemplo, a estrutura de um texto expositivo, já nos preparamos para adquirir um conhecimento dessa leitura. Se se tratar de um texto argumentativo, sabemos que alguém vai tentar nos convencer de alguma coisa. No caso de um texto narrativo, esperamos encontrar uma história vivida em um determinado lugar, em uma determinada época, com personagens. 

É muito importante identificar o objetivo de quem produziu o texto e para isso é sempre bom conhecer o autor, o lugar e a época em que o texto foi escrito. Lembre-se de que todo texto veicula as ideias, as crenças do autor. E que a pessoa que escreveu é fortemente influenciada pelos valores da sociedade em que viveu ou vive.

Não se pode, por exemplo, fazer uma leitura consciente do século XIV sem conhecer os movimentos políticos, econômicos e sociais que marcaram aquela época. Mas não são apenas os textos antigos que são frutos do momento histórico. Os textos atuais também são um reflexo do meio em que foram concebidos. 

Por isso é muito importante conhecer o mundo em que se vive, informar-se sobre os problemas políticos, os movimentos artísticos, as tendências da economia. Para isso você precisa ler jornais, revistas, ir ao cinema, assistir aos noticiários na TV. Mas cuidado, quantidade não significa qualidade. Não basta ler muito. É preciso ler bem. E ler bem implica em uma leitura crítica. Isso quer dizer que você precisa ser capaz de perceber os objetivos e as intenções do autor do texto. 
O exercício da leitura

Assim, 
  • procure diversificar suas fontes de informação.
  • Leia a mesma notícia em revistas diferentes.
  • Tente perceber a intenção por trás de cada possibilidade de redação do mesmo fato.
Uma boa estratégia para se conhecer as intenções do autor é analisar o vocabulário escolhido por ele. Dentre tantas possibilidades a palavra empregada diz muito do seu autor. Acompanhe comigo duas possibilidades, entre muitas, de se contar um fato:
  1. Trombadinhas invadiram o mercado e fugiram com o produto do roubo. 
  2. Crianças abandonadas são obrigadas a furtar para matar a fome.
As duas frases narram o mesmo acontecimento, mas com objetivos bem diferentes. Observe, uma palavra escolhida carrega um juízo de valor, reflete o posicionamento ideológico do autor.

Na primeira possibilidade, ao chamar os menores de trombadinhas e narrar a cena como um roubo, o autor se coloca claramente contra essas crianças e considera o ato um problema criminal. Já na segunda possibilidade, ao chamar os menores de crianças abandonadas e narrar a cena como um problema social, o autor se apresenta solidário as crianças.

Mas não é só a escolha vocabular que nos faz conhecer o pensamento do autor, a maneira de ordenar as palavras na frase também demonstra onde está a prioridade do autor, o foco da informação. Veja as frases:
  1. Os ladrões fugiram com todas as jóias.
  2. Todas as jóias foram levadas pelos ladrões.

Perceba que a ênfase da frase está no primeiro elemento citado. Assim, na primeira frase o elemento mais importante é o ladrão, enquanto na segunda, o elemento principal são as jóias roubadas.


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