A relação entre ler, pensar e escrever

Não à toa, o mestre Othon M. Garcia, em sua obra prima Comunicação em Prosa Moderna, ao falar da eficácia nas produções textuais, apresenta-nos o subtítulo "Aprender a escrever é aprender a pensar", tornando indissociáveis essas duas ações. Uma vez que "as palavras são o revestimento das ideias e que sem elas , é praticamente impossível pensar" (GARCIA, 2003:173), fica clara tal indissociabilidade.

É altamente relevante observar a importância do pensamento lúcido, claro e pontual para a elaboração de textos. Muitos desprezam a importância de uma boa reflexão ou de um amadurecimento apropriado das ideias quando vão trabalhar  o texto dissertativo, embasados na crença de que quem lê muito necessariamente escreve bem. Sim, há uma uma certa relação entre leitura e escrita, porém, uma coisa não leva necessariamente à outra. Além de ler muito, é essencial conseguir entender e estudar as técnicas de redação, isto é, as formas de passar as sua ideias de maneira clara e bem elaborada para o papel.

Conforme Othon M. Garcia, "Escrever é encontrar ideias e concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou aprovisionou." Aprovisionar as informações não quer dizer "decorá-las" e, sim, refletir sobre elas. Aprovisionar é guardar e armazenar as informações de modo a torná-las úteis. 

De nada vale memorizar uma série de informações sobre diversos assuntos se não for capaz de passar essas informações para o papel. Indubitavelmente o mais importante é concatenar as ideias, conciliá-las, harmonizá-las, facilitando, assim, a sua transmissão para o papel. Quando se consegue pensar bem sobre determinado assunto, quando se amadurece um pensamento e formula o discurso de maneira clara e objetiva, há maior facilidade para materializar esse discurso imaginário através do texto.


Para Othon M. Garcia, essa dificuldade em passar para o papel o discurso ocorre porque as pessoas não conhecem a realidade, não tem uma visão mais ampla do que está acontecendo à sua volta. E mesmo quando conhecem parte da realidade, muitas vezes, não são capazes de interpretá-la. Quando se vê a realidade, analisa e interpreta essa realidade, a produção textual será mais linear, mais clara e mais fluente possível.

O conhecimento de mundo auxilia muito o candidato na produção textual. Segundo Nelly Carvalho "É recomendável ao candidato ler, ler muito, atualizar-se, conhecer o mundo, sua realidade mais próxima, aspirações, limitações...." O candidato que lê bastante, que tem contato com muitos gêneros textuais, com várias leituras de variadas naturezas, tem mais facilidade em expressar suas ideias. Ele constrói seu ponto de vista, sua forma de ver e perceber a realidade de maneira mais linear. 

É preciso compreender que esse conhecimento da realidade, o conhecimento de mundo é passado
para o texto e o examinador da banca de concurso público seguramente percebe isso quando se consegue transmitir o que há de melhor na reflexão e da forma mais adequada, mais apropriada ao discurso corrente, à linguagem do gênero solicitado.

Para a banca examinadora mais vale a capacidade de ler e interpretar o conteúdo de uma frase e a capacidade de transformar essa frase em informação útil agregando-a ao conhecimento que você tem, aquilo que efetivamente se quer mostrar ou provar. É preciso refletir sobre a informação, transformar o conteúdo semântico, agregando-o ao texto, transformar, ajustar para aquilo que se quer demonstrar ou redigir.

Para a banca examinadora mais vale a capacidade de ler e interpretar o conteúdo de uma frase e a capacidade de transformar essa frase em informação útil agregando-a ao conhecimento que você tem, aquilo que efetivamente se quer mostrar ou provar. É preciso refletir sobre a informação, transformar o conteúdo semântico, agregando-o ao texto, transformar, ajustar para aquilo que se quer demonstrar ou redigir.

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