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Linguagem, língua e fala - A tríade que constitui a comunicação

Conceito de linguagem
Chamamos de linguagem o conjunto organizado de sinais que cada pessoa utiliza para se comunicar. Assim, as palavras, os gestos, as músicas, as placas de trânsito fazem parte da linguagem, pois servem como meio de comunicação entre os indivíduos. 

Podemos reunir as diferentes linguagens em dois grupos: o grupo da linguagem verbal, que utiliza palavras para se comunicar, e o grupo da linguagem não verbal, que emprega outros signos que não sejam palavras. Então, se você quiser concordar com uma pessoa, você pode dizer "certo" ou "concordo". Ou então utilizar a linguagem não verbal e fazer um gesto de positivo com o polegar ou um movimento de cabeça.


Conceito de língua
Damos o nome de língua ao código verbal que um grupo de indivíduos compartilham. A língua seria então a linguagem verbal, pois utiliza as palavras para se comunicar. O homem  é o único animal capaz de criar, utilizar a palavra como meio de comunicação. 

No mundo há um grande número de línguas, entre elas a nossa, o português. Nós brasileiros falamos o português. Mas será que falamos todos da mesma maneira? Você acha que os executivos falam como os surfistas, ou que uma dona de casa entende uma conversa de pessoas fanáticas por computador? E você, é capaz de entender um texto do século XVI? Difícil ein? 

Conceito de fala
Mas por que a dificuldade de compreensão se todos falamos português? O problema está exatamente aí. Nós falamos a língua portuguesa. Ao falar, cada pessoa utiliza de maneira personalizada a língua, que é um produto social. Assim, a fala é a utilização pessoal da língua. 

Língua viva e língua morta
É responsabilidade da fala manter a língua viva. Quando uma língua deixa de ser falada, como é o caso do sânscrito ou do latim, dizemos que é uma língua morta. Mas cuidado! O latim e o sânscrito são consideradas línguas mortas, mas não extintas. 

Uma língua é considerada extinta quando não sobreviveram registros suficientes para poder estudar. No caso do latim e do sânscrito contamos com muitos textos e gramáticas que nos possibilitam estudar e entender os mecanismos destas línguas.

Elas são consideradas mortas porque não sofrem mais a influência da fala. Elas estão paradas no tempo, fixas. Já a língua portuguesa por estar viva sofre muitas influências. 

 Linguagem, língua e fala - A tríade que constitui a comunicação
Variação linguística
Uma variação interessante que exemplifica muito bem esse conceito de mutabilidade da língua viva é a variação no tempo. A expressão da língua muda porque mudam os costumes com o passar do tempo. 

O ser humano cria coisas novas que precisam ser nomeadas, ensinadas, vendidas. Muitos desses novos objetos necessitam de vocábulos específicos e de relações sociais próprias. Como é o caso do computador, que quando surgiu, exigiu que se inventasse um número imenso de palavras. 

Por outro lado, algumas coisas caem em desuso e levam com elas o seu pequeno universo linguístico e cultural. É o caso, por exemplo, da máquina de escrever, que está desaparecendo e arrastando para o esquecimento toda a arte da datilografia.

A língua também muda no espaço e essas variantes lingadas as diferenças geográficas talvez sejam mais comuns no nosso dia a dia. Pela pronúncia e vocabulário podemos facilmente distinguir um gaúcho de um pernambucano. E isso sem citarmos as diferenças entre os países de língua portuguesa. Não faltam exemplos de diferenças do português falado no brasil e o falado em Portugal. Alguns até bem engraçados para nós, como chamar antiguidade de velhariacamiseta de camisolaaeromoça de hospedeira de bordo e muitas outras.

Níveis de linguagens
Existem ainda diferenças linguísticas que não dependem da geografia ou da história. São os chamados níveis de linguagem. E eles são fáceis de reconhecer. Basta você observar que o tipo de texto que você escreve em uma comunicação eletrônica, como um e-mail ou MSN é bem diferente do tipo de texto que você constrói em uma redação que será avaliado num concurso. Até mesmo na fala podemos notar essa diferença. O modo e o vocabulário que você usa para se dirigir ao diretor da escola, certamente são diferentes do jeito que você fala com seus colegas de classe.

Podemos assim distinguir basicamente dois níveis de linguagem. Norma culta, que obedece aos modelos e regras da gramática tradicional. Ela é adquirida durante a vida escolar e seu domínio é cobrado em exames e concursos oficiais. E temos também a língua popular ou coloquial. É o nível utilizado pelo povo no dia a dia, despreocupado da formalidade gramatical. Esse tipo de linguagem se aparecer no texto, muito provavelmente, será como exemplo de fala de personagem.

Língua falada e língua escrita
Outra distinção muito importante que devemos fazer é entre a língua falada e a língua escrita. A principal diferença que podemos ressaltar entre esses dois tipos de comunicação é que, a língua falada se da em situações em que existe o contato direto entre os interlocutores. Seu vocabulário é marcado por expressões que se referem aquele exato momento da comunicação. Assim, encotramos os pronomes eu, você, isto, aquilo. Os advérbios como agora, aqui, hoje, amanhã

Muitas vezes, quando textos orais são transcritos, esses termos podem deixar a mensagem confusa, principalmente, se não estiver claro qual a palavra que se refere no texto. Já a língua escrita requer um maior cuidado com a elaboração da mensagem pois, como os interlocutores não estão próximos para interagirem, a sua compreensão deve ser satisfatória e garantida apenas pelo texto. Assim, no lugar do hoje, agora, amanhã, deve-se indicar as datas com precisão. E na impossibilidade de mostrar o objeto ou o lugar, devem ser muito bem descrito. 

Cuidado! Muitas pessoas acham que basta pertencer a língua falada para ser caracterizada como exemplo de norma popular. Besteira! Existem gêneros orais, como sermões, discursos e comunicações oficiais que sem nenhuma sombra de dúvida obedecem a norma culta da língua. Do mesmo jeito que existem textos escritos, como os bilhetinhos que voam em classe que são exemplos de um uso popular da língua.

(Transcrição do vídeo 3 - Compreensão e Interpretação de Texto - Parte3/11).

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