Estrutura da redação do Enem - o que fazer na introdução, no desenvolvimento e na conclusão?

Para que você possa redigir com proficiência, antes de se preocupar com o texto na íntegra, a macroestrutura, você precisa estar apto a redigir ou organizar a chamada microestrutura. Se a macroestrutura é o texto inteiro a microestrutura será o parágrafo. 

Logo, você só vai saber fazer redação se você souber construir o parágrafo.

Para início de conversa, não é só a redação que apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão. Também é aspecto do parágrafo a apresentação de introdução, de desenvolvimento, e de forma facultativa, a conclusão.
Você deve começar o seu parágrafo com uma afirmação. Prossegue para o desenvolvimento confirmando aquilo que foi afirmado. Na conclusão você faz uma reafirmação.

O que fazer na introdução
Vamos começar fazendo uma afirmação sobre o tema.
  • É possível afirmar que Maria é uma grande amiga que tenho”.
Eu acabei de produzir uma tese, uma afirmação. Isso não é suficiente para formar um parágrafo. Antes de colocar o ponto final, após a afirmação que é a tese, você precisa apresentar os argumentos, ou seja, elementos confirmadores de que Maria de fato é uma grande amiga que tenho. 
  • “É possível afirmar que Maria é uma grande amiga que tenho, visto que é uma pessoa confiável e que se preocupa comigo.”
Então,
  • Tese: Maria é uma grande amiga que tenho
Qual foi a razão para eu chegar a essa conclusão?
  • Argumento 1: é uma pessoa confiável
  • Argumento 2: trata-se de alguém que se preocupa comigo
E se você quiser usar 3 argumentos não tem problema. Mas você precisa saber que quando a banca chega para corrigir o seu texto, ao ler o primeiro parágrafo ela já sabe quantos parágrafos no total o seu texto deve apresentar. Sim, porque, uma redação dissertativo-argumentativa tem como estrutura fixa o primeiro parágrafo que é a introdução e o último parágrafo que é a conclusão.
Assim, só pode variar o número de parágrafos no desenvolvimento da macroestrutura e este, acontece de acordo com o desenvolvimento da microestrutura. Então, se você colocar dois argumentos no primeiro parágrafo você será obrigado a colocar dois parágrafos no desenvolvimento; se você colocar três argumentos na introdução, obrigatoriamente terá três parágrafos no desenvolvimento.
O que fazer no desenvolvimento
No primeiro parágrafo do desenvolvimento você deve voltar e se aprofundar no primeiro argumento da introdução. No segundo parágrafo do desenvolvimento você deve voltar e se aprofundar no segundo argumento da introdução.
Por exemplo:
Se eu digo que “João é um bom pai, tendo em vista a educação de Pedro e de Flávia”, no primeiro parágrafo tenho que provar que Pedro é educado e no segundo, que Flávia é educada.
Procure usar, no desenvolvimento, exemplos da realidade. Não fique filosofando sobre o assunto, sobre conceitos, etc. Cite exemplos retirados da realidade que confirma o fato de Maria ser confiável, confirma os argumentos que embasaram a tese na introdução. É objetividade, é fato. Você usa argumentos para comprovar argumentos.
  • “Relativo à confiança que tenho em Maria, assim que me mudei para a comunidade onde moro, sem querer, atropelei o cachorro do bandido. Maria presenciou, me ajudou a esconder o cachorro morto e não contou para ninguém.”
  • “No que se refere à preocupação de Maria, estive doente, ela me visitava todos os dias, quando não me ligava e por vezes ainda me levava remédios.”
DICAS:
  • Jamais fale sobre dois argumentos no mesmo parágrafo. Isso desorienta a correção da banca.
  • Jamais divida ou desenvolva um argumento em dois parágrafos. Isso desorienta a organização do seu texto.
  • Desenvolva um parágrafo para cada argumento. É simples assim.
O que fazer na conclusão
O Enem exige do candidato a sugestão de uma intervenção social. Se o texto aborda algum problema, você deve sugerir uma intervenção, uma solução, alguma atitude ou do governo, ou da sociedade em geral, ou da família, em relação ao tema abordado. Essa sugestão de solução pode ser apresentada na introdução ou na conclusão. O melhor lugar é na conclusão.
Você deve fazer uma declaração, que reafirma o que você disse antes, por exemplo:
  • “Dessa forma, Maria é alguém de grande importância no meu círculo de amizade. Bom seria que todos os cidadãos que tenham amigos, tratassem o próximo como Maria me trata.”
3 orientações para apresentar uma boa proposta de intervenção na redação do Enem
1. Fuja das propostas vazias
Professores afirmam que nove em cada dez redações apresentadas no Enem e vestibulares são encerradas por passagens como "precisamos nos conscientizar de que", "os pais precisam se conscientizar", "o governo deve conscientizar os cidadãos". Não há mal algum em imaginar que a tomada de consciência é o primeiro passo para mudanças. Mas se essa fosse a cura para todas as doenças, bastaria realizar milhares de campanhas de conscientização para sanar todos os problemas do mundo.
O Enem espera algo mais dos candidatos. Valoriza propostas de intervenção particulares, ou seja, soluções para questões específicas. "Consciência todos devem ter, mas da consciência é preciso partir para a ação. Pense em quais atitudes concretas devem ser tomadas para que o problema seja resolvido", diz Eclícia Pereira, coordenadora de redação do Cursinho da Poli.
Confira a seguir dois exemplos, uma proposta vaga e outra mais elaborada, que tratam dos desafios para a educação do Brasil:
  • "É fundamental que o país tenha uma educação melhor"
  • "É fundamental melhorar o ensino básico público, expandir o ensino técnico e facilitar o ingresso de pessoas mais pobres ao ensino superior"
Explicação do professor: O Enem pede uma proposta detalhada de intervenção. Dessa forma, a proposta de número 2 é mais efetiva do que a primeira: ela não diz apenas que a educação dever ser melhor, mas sugere o que deveria ser feito para alcançar esse objetivo.
2. Apresente soluções realistas
Antes de apresentar sua solução ao problema proposto pela redação, é preciso refletir se sua sugestão poderia de fato ser colocada em prática. O professor Francisco Platão Savioli, do Anglo Vestibulares, conta que é comum alunos mostrarem propostas inexequíveis ou mesmo delirantes.
Entenda a diferença entre os dois tipos de propostas nos exemplos a seguir, que tratam do combate à violência:
  • Proposta pouco efetiva "A violência só será resolvida quando os cidadãos se convencerem de que são todos irmãos e precisam respeitar uns aos outros."
  • Proposta efetiva "Para combater a violência é preciso ampliar o número de policiais nas ruas, assim como treiná-los intensivamente."
3. Assuma a responsabilidade pela solução apresentada
Um erro bastante comum entre os estudantes é terceirizar o problema, ou seja, atribuir a outro a responsabilidade pela solução da questão apresentada na redação. Por exemplo: o candidato afirma que a sociedade deve atentar para o alto índice de trabalho infantil. Contudo, se esquece de deixar claro que também faz parte dessa sociedade e, por isso, tem sua parcela de responsabilidade.
Tema do Enem 2011: "Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado"
Exemplos de soluções: 1. O governo deve verificar se as informações publicadas na internet estão sendo usadas de forma a não ferir a privacidade de cada um. 2. As pessoas devem sempre lembrar que uma informação publicada na internet estará disponível a todo mundo e eternamente em circulação. 
Explicação da professora Eclícia Pereira, coordenadora de redação do Cursinho da Poli: A proposta 2 é melhor. Não faz sentido o governo ter que vigiar tudo o que é publicado na internet. A responsabilidade de gerir informações entre público e privado é das pessoas que expõem seus dados na rede.

Os aspectos formais da redação do Enem

O que você vai aprender neste capítulo:
  • Eu devo colocar título na minha redação? É ou não obrigatório?
  • Eu posso usar maiúscula em todas as palavras do título? Ou só na primeira?
  • Eu posso pontuar o título? Posso pular linha do título para o início da minha redação?
  • Posso usar letra de forma na redação?
  • O que fazer quando eu rasurar a prova?
8 dicas relevantes para fazer um bom título

1. Dê sempre título ao seu texto

O título é extremamente importante. Ele costuma ser obrigatório em concursos públicos, no Enem, é opcional. Portanto, antes de qualquer coisa, quando pegar a prova, atentem para o que tem como instruções.
O título é parte constitutiva de qualquer texto. Se a banca não exige título e por um acaso você coloca título, jamais ela poderá tirar ponto de você. Mas se a banca exige título e você se esquece, aí ela pode apenar você.
Ou seja, se falta título, existe a possibilidade de você perder, com o título não há possibilidade nenhuma de perda. Portanto, toda vez que você for treinar redação, preocupe-se com o seu título, treine título também. O único texto em que você não deverá colocar título será aquele que a banca der um título antes de você começar o seu texto, ou seja, se a sua redação já vier com o título. 

2. O título deve ser sempre centralizado com maiúscula apenas na primeira palavra

Existem várias bancas de concurso público e a banca examinadora do Enem traz para si examinadores de todas elas. Existem bancas que não se importam com maiúscula em todas as palavras, tampouco com maiúscula em preposição. Nós não vamos trabalhar com exceção, mas com a regra. De acordo com a regra, você coloca maiúscula só na primeira letra.

3. Não, em hipótese alguma, pontue o título, a não ser que seja pontuação expressiva como exclamação e interrogação

Por exemplo: “Qual o problema das drogas? ”, “Brasil: que vergonha a corrupção! ” Ora, se a sua pontuação quer demonstrar algum tipo de opinião, de ironia, de crítica, ou seja, ela pode ser classificada como uma pontuação de expressão, você está autorizado a pontuar.

4. Não pule linha entre o título e o início do texto

As linhas puladas não contam na hora do seu texto ser avaliado. Então, se o Enem exige entre 8 e 30 linhas comumente, se você faz 8 linhas, pulando uma depois do título, você pode ter o seu texto desclassificado. O Enem aponta no Edital 7 linhas como a margem da desclassificação.

5. Deve ser o mais breve possível

Deve ser sintético, resumir em poucas palavras aquilo que diz o seu texto. Não queira tocar as duas margens da linha com o título.

6. Deve estar relacionado ao que você diz em seu texto

Por exemplo: O aluno resolveu fazer um texto sobre a corrupção no Brasil. Então ele cria o título: “CPI para quê? ”
Durante o seu texto ele falou sobre a corrupção no lar, sobre a corrupção na saúde, sobre a corrupção na política e em momento algum ele citou o processo de CPI.
É claro que o conhecimento de mundo do candidato e da banca permite saber que a CPIs apura verdades e inverdades relacionadas à corrupção. Mas em momento algum ele fez essa ligação. Então haveria muitas possibilidades de títulos mais felizes do que esse relacionado ao item da realidade que não foi mencionado no texto.

7. Pode apresentar pergunta

É comum criar um título como pergunta. Mas não é, necessariamente, obrigado a responder, durante o texto, aquela pergunta que você empregou no seu título.
Um recurso comum em argumentação é a chamada pergunta retórica. Ou seja, aquela que motiva uma discussão, mas que, não necessariamente, não se responde.
Por exemplo: você faz uma redação sobre a superlotação nos metrôs do Brasil. Então você cria o título: “Quantas pessoas cabem em um vagão? ” Durante o texto você vai falar sobre o processo de superlotação, o desrespeito ao vagão das mulheres, a falta de planejamento urbano e não necessariamente você vai dizer se cabe 20, 200, 300 pessoas naquele vagão.

8. Evite usar verbo

Caso use, dê preferência às formas nominais ou certifique-se de que não será repetido como tese.  Quais são as formas nominais do verbo? Infinitivo, gerúndio e particípio.
Exemplos:
  • Entendendo melhor o Brasil. (gerúndio)
  • Como entender melhor o Brasil. (infinitivo)
  • O Brasil entendido pelos estrangeiros. (particípio)
É de fato errado colocar um verbo que não esteja nessas três formas? O grande problema não é esse. O foco do problema é outro. Quando você coloca um verbo comumente flexionado no título você aumenta a possibilidade de repetir essa mesma forma verbal na introdução, na tese.
Exemplo:
  • Título: Violência contra turistas tem diminuído no Brasil.
  • Tese: É possível afirmar que a violência contra turistas tem diminuído no Brasil nos últimos anos. Isso se deve não apenas às políticas de...
A repetição de palavras passa a ser contada a partir da produção do título
Se a tese explicita sua ideia principal e se o título explicita a ideia do texto, para que isso seja coerente, o mesmo verbo do título vai estar na tese. E o que você faz? Muda o título. Pega o verbo que está conjugado e coloca em uma dessas três formas. Ou usa um substantivo qualquer, um nome ou um adjetivo.
A letra 
Outra questão que também deixa muitas dúvidas é exatamente a letra. A letra pode ser de qualquer tipo, desde que seja legível. Sempre separe maiúscula de minúscula.
A margem 
O texto é composto de blocos, parágrafos. Esses parágrafos têm que ser delimitados por uma margem, tanto na parte da direita da folha quanto na esquerda da folha. Quando você começar a escrever o ideal é que deixe um espaço (um dedo) marcando o início do parágrafo. Nunca deixe de fazer essa margem para que o corretor entenda exatamente onde começa uma parte e termina a outra. Lá na margem direita, quando a linha acaba, é preciso cuidar, tem que saber dividir por sílaba, se não vais deixar sempre uma onda na tua margem direita. A margem é apenas visual. Ela determina as partes do texto e isso é avaliado pelo corretor.
O erro 
E não menos importante, mas também um dos aspectos formais, é o erro que a gente comete ao passar a limpo a redação. Se você errou simplesmente passe um risco em cima e vá adiante. Se errou uma linha inteira, risque a linha inteira e siga fazendo a redação. Sempre arrume os seus erros. A rasura que não compromete a integridade do texto, pode deixar lá. Mas se rasurar linhas inteiras, esses erros podem ser descontados no computo final do número de linhas que você deveria escrever.

Tipologias Textuais: conceitos e características

Tipologia textual são modos enunciativos. Falar em modos enunciativos é pensar em maneiras de se dizer algo. Por exemplo: Se eu quero te falar sobre o curso Fórmula da Redação eu posso produzir vários tipos de enunciados, tais como:
Eu posso te contar a história do curso Fórmula da Redação, como ele surgiu, quando e por que ele foi criado;

  • 1. Eu posso descrever como é o espaço onde é ministrado o curso, como é o ambiente físico ou online, etc.;
  • 2. Eu posso simplesmente falar sobre o tema Fórmula da Redação, fazer uma defesa de um ponto de vista, defender o curso como a melhor opção para candidatos do Enem. Para isso vou precisar de argumentos;
E para falar sobre o curso Fórmula da Redação eu posso, inclusive, aproveitar uma conversa entre dois professores e te mostrar essas falas a respeito do curso.
As tipologias textuais são finitas, ou seja, existe uma quantidade fixa delas. Segundo a teoria linguística existem 6 tipologias textuais que são as seguintes:
  • Descrição
  • Narração
  • Injunção
  • Dissertação
  • Argumentação
  • Diálogo
A seguir vamos explicar o que são as tipologias textuais através de exemplos práticos.

Descrição

Trata-se de um relato de talhado das impressões sensoriais acerca de determinados elementos (pessoa, objeto, animal, lugar ou mesmo um determinado acontecimento do cotidiano), em um momento único. Assemelha-se a uma imagem ou “fotografia representada por meio de palavras”, possibilitando ao leitor a criação figurativa de uma imagem mental do objeto descrito. A descrição pode ser objetiva ou subjetiva.

Descrição objetiva

Relata as características do “objeto” de modo preciso, sem comentários pessoais ou atribuições de quaisquer predicações ou termos que possibilitem a múltiplas interpretações.
Exemplos:
a) O quarto estava localizado na parte velha de Paris. Não era grande nem luxuoso, mas tinha tudo aquilo de que o artista necessitava naquele momento de sua vida: uma cama-beliche, duas cadeiras e uma mesa, sobre a qual ficava uma bacia e uma jarra d’água. Uma grande janela envidraçada iluminava fartamente o aposento, deixando sobre o assoalho de tábua corrida um rastro de luz. Nas paredes ao lado da cama havia dois quadros e algumas fotografias que lembravam ao pintor a sua origem. (texto construído a partir da sugestão do famoso quadro “O quarto de Vincent em Arles”, de Van Gogh)
b) O objeto tem 3 metros de diâmetro, é cinza claro, pesa 1 tonelada e será utilizado na fabricação de fraldas descartáveis.
c) Ana tem 1,80, pele morena, olhos castanhos claros, cabelos castanhos escuros e lisos e pesa 65 kg. É modelo desde os 15 anos.

Descrição subjetiva

Utiliza-se de uma linguagem mais pessoal. Nela, permitem-se opiniões, valorações, expressão de sentimentos e emoções, bem como o emprego de construções que indiquem certa subjetividade por parte de quem a descreve
Exemplos:
Era doce, calma e respeitava muito aos pais. Porém, comigo, não tinha pudores: era arisca e maliciosa, mas isso não me incomodava.
O que é, o que é
Clara e salgada,
Cabe em um olho, e pesa uma
Tonelada?
Tem sabor de mar.
Pode ser discreta.
Inquilina da dor.
Morada predileta.
(Jesus Chorou – Racionais Mc’s)

Narração

A viatura foi chegando devagar
E, de repente, de repente resolveu me parar
Um dos caras saiu de lá de dentro
Já dizendo “aí, compadre, você perdeu
Se eu tiver que procurar, você tá fodido.
Acho melhor você ir deixando esse flagrante comigo”
No início eram três, depois vieram mais quatro
Agora eram sete os samurais da extorsão
Vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso
Cheirando a minha mão.
(Rapa, tribunal de rua)
A letra da música acima faz alusão a um grupo de policiais de extermínio do período da ditadura no Brasil. Rapa faz uma crítica sobre ser um tribunal de rua, pois executavam sem dar chance das pessoas se defenderem.
“A viatura foi chegando devagar”, temos um acontecimento. Temos no texto uma sequência de fatos. A intenção do autor em um texto narrativo é relatar um acontecimento. E para isso você deve usar verbos, classe gramatical que predomina em uma narrativa. É um verbo colocado em uma sequência temporal. Em torno do verbo existem advérbios, classe gramatical que transmite uma circunstância ao verbo. Então, verbos e advérbios são as duas classes gramaticais que predominam em uma dissertação.
Há também, no texto narrativo, uma sequência de fatos bem clara:
A viatura foi chegando devagar
...derrepente resolveu me parar
...saiu de lá de dentro
Já dizendo...
...tiver que procurar...
...ir deixando...
...vieram mais quatro
Vasculhando meu carro...
...metendo a mão no meu bolso
Cheirando a minha mão
Existem também os elementos da narração, que não é o foco em concursos: personagem, espaço, tempo, clímax, protagonista. O foco é reconhecer o texto narrativo.

Dissertação

Quando se fala em dissertação, significa exatamente “falar sobre algo (tema)”. A maioria das pessoas, quando fala em dissertação, já pensam logo em introdução, desenvolvimento e conclusão, linguagem impessoal, etc.. Não. Isso é texto dissertativo em redação discursiva.
Exemplo:
A feira da Ceilândia
Te oferece o que quiser comprar:
Peixe, sapato, retrato, colar para te
Enfeitar e cinto da moda...
(Feira da Ceilândia – Ellen Oléria)
Observe que ela está falando de um tema: “A feira da Ceilândia”. Ela não está descrevendo.

Argumentação

Não é a mesma coisa que dissertação. Ellen Oléria não defende ponto de vista. Ela não fala que a feira da Ceilândia é boa, ou ruim, ou que é melhor ou pior. Só fala sobre a feira.
Se a partir da exposição de Ellen Oléria sobre a feira da Ceilândia eu digo que ela é muito boa, porque nela eu encontro o que eu quero comprar e encontro as roupas que eu gosto, agora, sim, estou defendendo um ponto de vista.
Então, argumentação é defender um ponto de vista a partir de uma dissertação. A argumentação é quase que um subgênero da dissertação: eu só posso defender um tema se eu conhecer esse tema. É impossível fazer uma defesa sobre algo que você não conhece. É importantíssimo, portanto que você tenha uma dissertação para você conseguir fazer uma argumentação. Veja outro exemplo:
Nas grandes cidades do pequeno dia a dia.
O medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia.
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia.
(Muros e Grades – Engenheiros do Hawai)
O tema dessa canção associa violência e medo. A opinião dele: O medo nos leva a tudo sobretudo a fantasia. Ou seja, você se protege tanto, além do perigo oferecido e acaba se privando da vida. Ele defende que a fantasia é aquilo que o medo gera e por que a fantasia gera isso? Quais são as consequências (olha a relação de causa e consequência)?
Se ela nos leva a fantasia, então erguemos muros que nos dão a garantia que morreremos cheios de uma vida tão vazia. Ele está argumentando, defendendo o seu ponto de vista.

Injunção

É a tipologia das ordens e sugestões. Falou em ordem e sugestão é impossível não pensar em uma modalidade especial de verbo: imperativo.
O texto injuntivo é aquele que traz uma recomendação. Que mostra o que fazer, ensina um fazer, traz um apontamento de como realizar. Por exemplo, uma receita de bolo é um texto injuntivo, assim como os anuais em geral.
Geralmente ele vem mesclado com o texto dissertativo. Se no texto dissertativo eu defendo uma ideia, para tentar te convencer eu posso te sugerir como realizar um passo a passo.
Por exemplo, eu quero defender a ideia de que a maneira de planejar as férias é começar essas férias com antecedência. Então minha tese é que suas férias deve começar a ser planejada assim que você retorna das férias. Portanto, eu vou argumentar dizendo que se você seguir essa sugestão você vai obter uma série de vantagens para a sua próxima viagem: melhores preços nos hotéis, vagas nos melhores hotéis, preços mais baixos nas passagens aéreas, vagas para espetáculos de shows, teatros, além de sobrar tempo para fazer pesquisas sobre aquele local, seus pontos turísticos, cultura e culinária.  
Exemplo:
Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça antes de levar ao forno temperar
Com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça
(Os Anjos – Legião Urbana)
Observe que todos os verbos estão no imperativo, para dar uma ordem ou para sugerir que a pessoa faça algo.

Diálogo

São atos de fala que podem se apresentar de duas maneiras: discurso direto e discurso indireto.
Exemplo:
E Johnny disse “Eu vou para curva do Diabo em Sobradinho, e vocês?”
[...]
E até hoje, quem se lembra,
Diz que não foi o caminhão,
Nem a curva fatal,
E nem a explosão.
Johnny era fera demais
Para vacilar assim
E o que dizem é que foi tudo
Por causa de um coração partido
Dezesseis – Legião Urbana
Verbo dissendi é um verbo que indica um ato de fala. No exemplo acima temos verbos dissendi: disse, diz, dizem, que configuram os discursos direto e indireto.
Temos discurso direto no trecho seguinte: E Jhonny disse 
Eu vou para curva do Diabo em Sobradinho, e vocês?”
Algumas marcas importantes para identificar um discurso direto são aspas, dois pontos e travessão.
Temos discurso indireto nos trechos seguinte:
Diz que não foi o caminhão, nem a curva, nem a explosão.
E o que dizem é que foi tudo
Por causa de um coração partido.
As marcas que identificam o discurso indireto são a ausência de aspas, dois pontos, travessão.
Diferença entre gênero textual e tipologia textual
O que vemos nas provas não são tipologias, são gêneros textuais. Gênero é a combinação de tipologias aliada ao contexto, são infinitos justamente em decorrência do contexto e eles são a realização. Por isso, o texto que vemos nas provas é o gênero, porque é o texto que foi realizado.
 Quando falamos de tipologia, estamos falando de prova objetiva (descrição, narração e dissertação são fundamentais em concursos públicos). E quando falamos de gênero estamos falando de prova discursiva.
O texto é um gênero, por isso, nada impede de juntar duas tipologias. O importante é você saber identificar o que predomina. 

Resumo: