Descomplicando a Gramática!

05/05/15

Linguagem, comunicação e interação

As pessoas se comunicam e  interagem entre si, ou seja, o que uma pessoa diz provoca uma reação na outra pessoa, e vice-versa. 

Assim, entre o filho e o pai, entre o genro e o sogro, entre irmãos, entre amigos, há comunicação, pois, todas essas pessoas, além de se compreenderem, também interagem, ou seja, o que um diz interfere no comportamento do outro. Logo, a comunicação ocorre quando interagimos com outras pessoas utilizando linguagem. 

Para se comunicar, as pessoas não utilizam apenas a linguagem verbal, isto é, as palavras. Elas também fazem gestos, se movimentam, fazem expressões corporais e faciais. Tudo isso é linguagem.

Linguagem, portanto, é um processo comunicativo pelo qual as pessoas interagem entre si. Então, temo a linguagem verbal, cuja unidade básica é a palavra (falada ou escrita) e as linguagens não verbais, como a música, a dança, a mímica, a pintura, a fotografia, a escultura, o gesto, o movimento, a imagem, etc. 

Existem, também, as linguagens mistas, como as histórias em quadrinho, o cinema, o teatro e os programas televisivos, que podem reunir diferentes linguagens, como o desenho, a palavra, o figurino, a música, o cenário, etc. Bem recentemente, com o advento da informática, surgiu a linguagem digital, que, valendo-se da combinação de números, permite armazenar e transmitir informações em meios eletrônicos.

As pessoas se inter-relacionam e interagem por meio da linguagem. Assim, pode-se dizer que a comunicação nascida da interação entre as pessoas é construída solidariamente por elas, que são interlocutores no processo comunicativo. Interlocutores são as pessoas que participam do processo de interação por meio da linguagem.

Aquele que produz a linguagem - aquele que fala, que pinta, que compõe uma música, que dança - é chamado de locutor, e aquele que recebe a linguagem é chamado de locutário. No processo de comunicação e interação, ambos são interlocutores.

O código
No Brasil, as pessoas se comunicam fazendo uso da língua portuguesa, que nada mais é do que um código verbal. Código é um conjunto de sinais convencionados  por um grupo de pessoas ou por toda a comunidade, para a construção e a transmissão de mensagens. São códigos a palavra oral e escrita e também os sinais de trânsito, os símbolos, o código Morse, etc.

A língua
A língua portuguesa é o código mais utilizado pelos brasileiros, nas mais diversas situações de comunicação e interação social. Por isso quanto maior o domínio que temos da língua, maioes são as possibilidades de nos comunicarmos com eficiência. 

O domínio de um a língua não se resume apenas no conhecimento do seu vocabulário; é preciso também dominar suas leis combinatórias. Observe os dois enunciados abaixo:
  1. Aumento segunda-feira na tem novo próxima gasolina.
  2. Gasolina tem novo aumento na próxima segunda-feira.
No primeiro enunciado podemos conhecer o sentido de cada uma das palavras, porém, ele nada significa, porque desrespeitou-se as leis de combinação das palavras. Veja como, na frase dois, a combinação das palavras da sentido ao enunciado. Assim, língua é um código formado por signos (palavras) e leis combinatórias por meio do qual as pessoas se comunicam e interagem entre si. 

A expressão signo linguístico foi criada pelo linguísta francês Ferdinand Saussure. Signo é um sinal convencional, uma unidade de um tipo de lingugem ou sistema de comunicação, isto é, a palavra, unidade básica da linguagem verbal. No código de trânsito, o sinal vermelho é um signo.

A língua pertence a todos os membro de uma comunidade. Ela faz parte do patrimônio social e cultural de cada coletividade. Como a língua é um código aceito por convenção, um único indivíduo, isoladamente, não é capaz de criá-la ou modificá-la. A fala e a escrita, entretanto, são usos individuais da língua. Mesmo assim, não deixam de ser sociais, pois, sempre que falamos e escrevemos, levamos em conta quem é o interlocutor e qual é a situação em que estamos nos comunicando.

Nem a língua nem a fala são imutáveis. A língua evolui, transformando-se historicamente. Por exemplo, algumas palavras podem ou ganham fonemas (sons); outros deixam de ser utilizados; novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, entre elas os empréstimos de outras línguas com as quais a comunidade mantém contato. A fala também se modifica, conforme a história pessoa de cada indivíduo, com sua formação escolar e cultural, com as influências que recebe do grupo social a que pertence, com suas intenções, etc.

A língua portuguesa, como as demais línguas neolatinas, originou-se do latim vulgar e surgiu em meados do século XII, ainda como galego-português. Durante a expansão marítima, no século XV, foi levada pelos portugueses a outros continentes. Hoje é falada por cerca de 200 milhões de habitantes em Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Macau, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste.

As variedades linguísticas
Cada um de nós começa a aprender a língua em casa, em contato com a família e com as pessoas que nos cercam. Aos poucos vamos treinando nosso aparelho fonador (os lábios, a língua, os dentes, os maxilares, as cordas vocais) para produzir sons, que se transformam em palavras, em frases e em textos inteiros. E vamos nos apropriando do vocabulário e das leis combinatórias da língua, até nos tornarmos bons usuários dela, seja para falar ouvir, seja para escrever ou ler. 

Em contato com outras pessoas, na rua, na escola, no trabalho observamos que nem todos falam como nós. Isso ocorre por diferentes razões:
  • porque a pessoa vem de outra região;
  • por ser mais velha ou mais jovem;
  • por possuir maior ou menor grau de escolaridade;
  • por pertencer a grupo ou classe social diferente.
Essa diferenças no  uso da língua constituem as variedades linguísticas. Variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada.

Entre as variedades da língua, existe uma que tem maior prestígio: a variedade padrão, também conhecida como língua padrão e norma culta. Essa variedade é utilizada na maior parte nos livros, jornais e revistas, em alguns programas de tv, nos livros científicos e didáticos, e é ensinada na escola. As demais variedades linguísticas - como a regional, a gíria, o jargão de grupos ou profissões (a linguagem dos policiais, dos jogadores de futebol, dos metaleiros, dos surfistas, etc.) - são chamadas genericamente de variedades não padrão.

Variedade padrão, língua padrão ou norma culta é a variedade linguística de maior prestígio social. Variedade não padrão ou língua não padrão são todas as variedades linguísticas diferentes da padrão.

27/01/15

Ordenando as ideias - a busca do texto ideal

 Antes de começar a escrever o seu texto ideal, é absolutamente indispensável que você organize as ideias a serem expostas. 

Muitos textos são redigidos apenas com palavras. Todavia, as melhores produções textuais são escritas com boas ideias, devidamente concatenadas e recheadas com informações de alta qualidade.

A construção textual tende a se assemelhar a construção de uma casa. Planejamento, aqui, é a palavra chave. Se tudo não for bem projetado, há grandes possibilidades de as paredes desmoronarem, ou, no caso de uma produção textual, há o risco de se ficar escrevendo por horas sem chegar a lugar algum.

Para se redigir o texto ideal é preciso refletir sobre as informações, pensar, amadurecer e aprovisionar ideias relevantes em defesa de um ponto de vista. É necessário relacionar tópicos a serem explorados e roteirizar os pensamentos, não pela cabeça do autor, mas pela cabeça do leitor, através de um bom plano de redação. Este plano de redação é de suma importância e deve ser elaborado previamente, projetando, assim, as ideias principais, a lógica que deverá ser seguida do começo ao final do texto. 


O texto dissertativo deve ser redigido como se você fosse o próprio bom senso, a luz da razão, o equilíbrio. Você vai ponderar, mostrar dados, informações relevantes, edificar, construir a sua proposta redacional com mais consistência. Usar períodos curtos, de uma a três linhas. Evite construir frases com mais de quatro linhas. Quando você extrapola esse limite você corre o risco de ser pouco preciso, pouco objetivo, acaba deixando a coisa no ar, deixando a abordagem extremamente lacônica. A clareza, a objetividade, a precisão na linguagem são atributos importantes, são qualidades importantíssimas a todo e qualquer texto, do texto ideal, principalmente.

Exercício
Bilhete de um gerente apressado para uma secretária dele:


“Cláudia, Devo ir à São Paulo amanhã sem falta e quero que você reserve, um lugar, a noite, no avião para São Paulo."

O que fez Cláudia?
 
Foi, à noite, ao aeroporto, reservou uma passagem aérea para o dia seguinte, no avião que partiria às oito da manhã. Chegando ao trabalho pela manhã e vendo o gerente tranquilo, assinando papéis, Cláudia se deu conta de que houvera ruídos na comunicação, decorrentes de problemas na redação do bilhete.

Reescreva o bilhete de modo a torná-lo um texto ideal, ou seja, tornar a comunicação eficaz, isto é, de modo que o redator obtenha do leitor a resposta desejada.

26/01/15

A relação entre ler, pensar e escrever

Não à toa, o mestre Othon M. Garcia, em sua obra prima Comunicação em Prosa Moderna, ao falar da eficácia nas produções textuais, apresenta-nos o subtítulo "Aprender a escrever é aprender a pensar", tornando indissociáveis essas duas ações. Uma vez que "as palavras são o revestimento das ideias e que sem elas , é praticamente impossível pensar" (GARCIA, 2003:173), fica clara tal indissociabilidade.

É altamente relevante observar a importância do pensamento lúcido, claro e pontual para a elaboração de textos. Muitos desprezam a importância de uma boa reflexão ou de um amadurecimento apropriado das ideias quando vão trabalhar  o texto dissertativo, embasados na crença de que quem lê muito necessariamente escreve bem. Sim, há uma uma certa relação entre leitura e escrita, porém, uma coisa não leva necessariamente à outra. Além de ler muito, é essencial conseguir entender e estudar as técnicas de redação, isto é, as formas de passar as sua ideias de maneira clara e bem elaborada para o papel.

Conforme Othon M. Garcia, "Escrever é encontrar ideias e concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou aprovisionou." Aprovisionar as informações não quer dizer "decorá-las" e, sim, refletir sobre elas. Aprovisionar é guardar e armazenar as informações de modo a torná-las úteis. 

De nada vale memorizar uma série de informações sobre diversos assuntos se não for capaz de passar essas informações para o papel. Indubitavelmente o mais importante é concatenar as ideias, conciliá-las, harmonizá-las, facilitando, assim, a sua transmissão para o papel. Quando se consegue pensar bem sobre determinado assunto, quando se amadurece um pensamento e formula o discurso de maneira clara e objetiva, há maior facilidade para materializar esse discurso imaginário através do texto.


Para Othon M. Garcia, essa dificuldade em passar para o papel o discurso ocorre porque as pessoas não conhecem a realidade, não tem uma visão mais ampla do que está acontecendo à sua volta. E mesmo quando conhecem parte da realidade, muitas vezes, não são capazes de interpretá-la. Quando se vê a realidade, analisa e interpreta essa realidade, a produção textual será mais linear, mais clara e mais fluente possível.

O conhecimento de mundo auxilia muito o candidato na produção textual. Segundo Nelly Carvalho "É recomendável ao candidato ler, ler muito, atualizar-se, conhecer o mundo, sua realidade mais próxima, aspirações, limitações...." O candidato que lê bastante, que tem contato com muitos gêneros textuais, com várias leituras de variadas naturezas, tem mais facilidade em expressar suas ideias. Ele constrói seu ponto de vista, sua forma de ver e perceber a realidade de maneira mais linear. 

É preciso compreender que esse conhecimento da realidade, o conhecimento de mundo é passado
para o texto e o examinador da banca de concurso público seguramente percebe isso quando se consegue transmitir o que há de melhor na reflexão e da forma mais adequada, mais apropriada ao discurso corrente, à linguagem do gênero solicitado.

Para a banca examinadora mais vale a capacidade de ler e interpretar o conteúdo de uma frase e a capacidade de transformar essa frase em informação útil agregando-a ao conhecimento que você tem, aquilo que efetivamente se quer mostrar ou provar. É preciso refletir sobre a informação, transformar o conteúdo semântico, agregando-o ao texto, transformar, ajustar para aquilo que se quer demonstrar ou redigir.

Para a banca examinadora mais vale a capacidade de ler e interpretar o conteúdo de uma frase e a capacidade de transformar essa frase em informação útil agregando-a ao conhecimento que você tem, aquilo que efetivamente se quer mostrar ou provar. É preciso refletir sobre a informação, transformar o conteúdo semântico, agregando-o ao texto, transformar, ajustar para aquilo que se quer demonstrar ou redigir.

23/01/15

Redação para conocursos - Introdução

Estudar redação passa por três campos que convergem na hora da produção textual. O primeiro deles, o linguístico, engloba os conhecimentos relativos ao vocabulário (léxico) e à gramática. O segundo, o conhecimento enciclopédico, abrange o conhecimento de mundo; é oriundo de vivências pessoais e, por fim, as técnicas ou caminhos que se devem seguir para alcançar a tão desejada nota máxima em concursos públicos, vestibulares, Enem, etc. É aqui que entra a importância de se fazer um Curso de Redação


Redação Para Concursos será um curso com uma série de dicas sobre produção textual, aprofundando alguns pontos importantes com vistas a suprir lacunas dos bancos escolares e de alguns preparatórios, buscando o desenvolvimento da percepção do texto dissertativo, da produção textual voltada para concursos e das questões discursivas.  

Nos primeiros posts falaremos sobre os princípios da prática textual. Quando falamos sobre princípios da prática textual inclui se aí a parte de como escrever bem. Escrever bem é uma coisa que vamos aprendendo e vamos avançando paulatinamente, burilando, lapidando algumas coisas, percebendo alguns inconvenientes na construção textual, observando elementos relevantes, além da correção gramatical, como a adequação, a competência comunicativa e alguns elementos e fatores linguísticos e extralinguísticos. 


Vamos começar construindo a base, é claro, com o seu conhecimento, alicerce importante para chegar ao texto dissertativo, a redação para concursos. Vamos trabalhar um pouco a ampliação vocabular, a adequação do seu vocabulário, a construção de palavras e elementos com palavras chaves importantes na construção do parágrafo, vamos compreender a elaboração de frases e seus princípios mais importantes. Estudaremos aqui também as qualidades e os defeitos do texto e a construção do texto  dissertativo entre outros temas.

Se você quer realmente escrever bem, se você quer produzir um bom texto, uma boa redação para
concursos, siga passo a passo as nossas recomendações, a cada publicação vamos sempre estar mostrando dicas oportunas sobre como produzir um bom texto, uma boa redação para concursos, ou para vestibulares, ou para o Enem.

Se você quiser conhecer um método fácil e simples de escrever redação facilmente, clique aqui e conheça o curso Redação Fácil - o jeito simples e eficiente para criar uma redação, do Professor Matheus Gustavo. Neste curso você aprenderá a criar redações facilmente e com alta qualidade. Dicas técnicas e explicações simples que ensinarão e ajudarão em seus resultados, seja no ENEM, concursos públicos ou provas em geral. 

Leia nosso próximo texto sobre redação: "A relação entre ler, pensar e escrever".

06/11/14

Gramática - conceito, tipos e suas divisões

O certo é que, o quanto você deve enfatizar de Gramática no seu aprendizado depende do seu objetivo ao aprender a língua. Falar bem? Dar aulas? Passar em um concurso? Neste último caso, aprender bem a Gramática é essencial para estar entre os aprovados.
A maioria das pessoas costuma ter problemas com a Gramática — sabem um pouco, sabem mais ou menos ou têm algumas dúvidas. Poucas dominam as regras. Uma das razões para isso é a de que a gramática nem sempre é ensinada no momento ou com a metodologia adequada e tem-se uma experiência negativa com seu estudo. Além das limitações naturais, o problema muitas vezes é agravado pela inabilidade dos professores — geralmente presos a um currículo rígido.

O fato é que a maioria das pessoas ainda guarda a impressão de que gramática é uma porção de regras chatas que precisam ser decoradas. Mas não é nada disso: Há lógica nas normas gramaticais e uma coerência fascinante, que é, aliás, a própria beleza da língua. Neste blog abordaremos os principais assuntos gramaticais que constam nos editais de Concursos Públicos de maneira simples e objetiva.
Nosso objetivo é descomplicar o estudo da Gramática e possibilitar aos estudantes o conhecimento das regras de funcionamento da Língua Portuguesa, quanto aos aspectos fonológico, morfológico, sintático, semântico e estilístico.

Conceito e tipos de gramática
O iDicionário Aulete, lista e conceitua os seguintes tipos de Gramáticas:
  • Gramática comparada/comparativa - "Parte da linguística que compara as estruturas morfológicas e fonéticas de línguas diferentes, ou de estágios diferentes de uma mesma língua";
  • Gramática descritiva - "A gramática tradicional de uma língua em um momento (sincrônica).Descrição completa e objetiva de todos os elementos de uma língua em um momento (sincrônica), em qualquer de suas variantes, tais como se apresentam nos enunciados produzidos, numa dessas variantes, por qualquer grupo de seus falantes nativos, sem filtros, críticas, correções etc. provindos de outras variantes possíveis; gramática expositiva";
  • Gramática gerativa/generativa - "Descrição de uma língua segundo um modelo formal de regras fixas e explícitas, capaz de gerar todas as - e somente - frases gramaticais dessa língua.Especificamente, teoria sintática gerativista do filólogo Noam Chomsky";
  • Gramática histórica - "A parte da gramática que trata da evolução histórica dos sistemas de uma língua (fonético, morfológico, gramatical)";
  • Gramática normativa - "Estudo dos elementos de uma língua a partir de normas que não podem ser transgredidas, e que determinam o que usar e o que não usar, como e como não usar, estabelecendo com isso um padrão de correção a ser observado no que considerar falar e escrever bem; gramática prescritiva";
  • Gramática prescritiva - "Ver Gramática normativa e Gramática tradicional. Modelo de estudo dos elementos de uma língua originado no do grego e do latim, e anterior à linguistica";
  • Gramática transformacional - "A gramática gerativa, nela considerada também a ideia de transformação da língua de sua estrutura profunda (a noção abstrata do que ela quer exprimir) para sua estrutura superficial (o uso efetivo se seus elementos, em nível de frase - palavras. elementos e estrutura sintática -, para expressá-lo)";
  • Gramática universal - "Na visão do filólogo Noam Chomsky, a faculdade do homem que permite, em certa fase de seu desenvolvimento mental e o de seu contexto social, adquirir a linguagem materna (a que esteve exposto nos estágios mentais iniciais da vida). Conjunto de princípios universais aos quais se condicionam a forma e o funcionamento de qualquer gramática".
Neste blog, iremos estudar apenas a Gramática normativa, pois esta é a Gramática cobrada nos concursos, vestibulares e Enem. A Gramática Normativa, como já vimos, é a "que busca ditar, ou prescrever, as regras gramaticais de uma língua, posicionando as suas prescrições como a única forma correta de realização da língua, categorizando as outras formas possíveis como erradas" (Wikipédia) .

A Gramática Normativa estabelece a norma culta, ou seja, o padrão linguístico que, socialmente, é considerado como modelo. Em síntese, aponta as regras para se falar e escrever corretamente, fixa os padrões do certo ou errado, as normas cultas, fixa o padrão formal da linguagem através do estudo das regras de funcionamento da língua, quanto aos aspectos fonológico, morfológico, sintático, semântico e estilístico.

Bem diferente da Gramática normativa, a Gramática descritiva descreve e analisa a língua utilizada por um determinado grupo de pessoas num dado momento histórico. Propõe-se a descrever as regras da língua falada, não levando em conta o conceito de “certo” ou “errado”, uma vez que não são os gramáticos que fazem a língua, e sim, o povo. Estuda, do ponto de vista histórico, as manifestação linguística de um determinado grupo de falantes. Trata das variações linguísticas, das ocorrências de linguagem, como o modo de falar de cada região (nordeste, mineiro, bahiano); variações diatrásticas (classes sociais), variações diatópicas (de acordo com a região, com a geografia do lugar).

Divisões da Gramática
Sabe-se que a língua é um sistema tríplice: compreende um sistema de formas (mórfico), um sistema de frases (sintático) e um sistema de sons (fônico). Por essa razão, a Gramática tradicionalmente divide-se em três partes básicas e em duas partes complementares:
  • Fonética/Fonologia (focaliza o sistema fônico) - Estuda os sons da fala (fonemas), a correta pronúncia dos vocábulos (ortoépia e a prosódia, partes integrantes da ortofonia) e a escrita correta das palavras (ortografia),
  • Morfologia (abrange o sistema mórfico) - Parte da gramática que trata do estudo da estrutura das palavras, dos processos de formação de palavras e do estudo das classes gramaticais. As classes gramaticais são as seguintes: Substantivo, Artigo, Adjetivo, Numeral, Pronome, Verbo, Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição.
  • Sintaxe (enfoca o sistema sintático)- Parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e das frases no discurso, incluindo a sua relação lógica, entre as múltiplas combinações possíveis para transmitir um significado completo e compreensível.
  • Semântica – “Estuda o significado e a interpretação do significado de uma palavra, de um signo, de uma frase ou de uma expressão em um determinado contexto. Nesse campo de estudo se analisa, também, as mudanças de sentido que ocorrem nas formas linguísticas devido a alguns fatores, tais como tempo e espaço geográfico” (Só Português).
  • Estilística – “Segundo o dicionário Houaiss, é a arte de escrever de forma apurada, elegante. Para outros estudiosos, é a disciplina que estuda os recursos expressivos que individualizam os estilos. Podendo, ainda, ser definida como uma conexão histórica entre a Poética e a Retórica” (Português).
Neste blog trataremos de cada uma dessas partes em separado, buscando clareza e objetividade na escrita.

E Você?
Qual é o seu objetivo ao estudar Gramática? Falar bem? Dar aulas? Passar em um concurso público? Qual a sua opinião sobre a Gramática Normativa? Ela facilita ou dificulta o aprendizado da Língua?

01/11/14

Língua Portuguesa: última flor do lácio

“Última flor do Lácio,
Inculta e bela,
És, a um tempo,
Esplendor e sepultura
[...]”.
(Bilac, Olavo)

No poema Língua Portuguesa, o autor parnasiano Olavo Bilac faz uma abordagem sobre o histórico da Língua Portuguesa.


Lácio é uma região na Itália central onde se falava Latim, a língua do Império Romano. Muitas línguas derivaram do Latim, como o francês, o espanhol e o italiano; a última delas foi o português. Com a metáfora "última flor do lácio, inculta e bela", Olavo Bilac refere-se ao fato de que a Língua Portuguesa foi a última língua neolatina descendente do latim vulgar, falado pelos soldados da região italiana do Lácio.

A Língua Portuguesa é a Língua que reflete nossa cultura, a Língua na qual nós construímos nossas identidades, com a qual nós nos manifestamos. Por isso Bilac, lá no finalzinho do século XIX dizia que a Língua Portuguesa é nosso esplendor, é nossa glória; sem a nossa Língua nós não seríamos o que somos. Na América do Sul o Brasil é o único país que fala português. Por isso, o português tem um certo aspecto de isolamento, daí a razão de o poeta chamá-lo de sepultura.

Podemos também entender que no segundo verso, há um paradoxo: “És a um tempo, esplendor e sepultura”. “Esplendor”, porque uma nova língua estava nascendo, ascendendo, dando continuidade ao latim. “Sepultura” porque, a partir do momento em que a Língua Portuguesa vai sendo usada e se expandindo pelo mundo, o latim vai caindo em desuso, morrendo.

História da Língua Portuguesa
Língua Portuguesa - a última flor do lácio"À medida que Roma conquistava novos povos, obrigava o uso do latim como língua oficial por toda a extensão do Império Romano. Havia duas espécies de latim: o clássico, falado e escrito pelas pessoas cultas, e o vulgar, apenas falado pelo povo. A modalidade imposta aos vencidos era o latim vulgar e, como os povos vencidos eram diversos e falavam línguas diferenciadas, o latim sofreu alterações distintas em toda região, o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas. 

Após as invasões, com as influência e modificações do latim, diversa línguas e dialetos foram constituídos, como o catalão o castelhano e o galego-português. O galego-português, resultante do romanço, era uma língua falada na faixa ocidental da Península Ibérica (atual território da Galícia e do norte de Portugal), mas, à medida que as suas fronteiras adentravam o sul, esse dialeto alterou-se e acabou predominando. Assim, o galego desenvolveu-se como variante do espanhol, e o português, como a língua de uma nova nação (com os primeiros documentos redigidos nessa língua)."¹

O Português se difundiu pelo mundo no período da navegação, período em que Portugal vivia um tempo de proeminência na política e na economia européia, no século XVI, XVII, os navios portugueses singraram os mares levando consigo a Língua Portuguesa. 

"A língua portuguesa chega ao Brasil com a colonização, o tupi foi usado como língua geral na colônia, ao lado do português, graças aos jesuítas que estudaram e difundiram a língua. Em 1757, o tupi foi proibido por uma Provisão Real. Com a expulsão dos jesuítas, em 1759, o português fixou-se definitivamente como língua no Brasil."²

Atualmente, a Língua Portuguesa é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, a grande maioria - quase 200 milhões - no Brasil. Falado nos cinco continentes, o português é a língua oficial de dez países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Ilha da Madeira, Arquipélago de Açores, São Tomé e Príncipe e Timor.

O português é conhecido como "a língua de Camões" (em homenagem ao escritor português Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas) e "a última flor do Lácio" (expressão usada no soneto Língua Portuguesa, de Olavo Bilac. Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considerava o idioma "doce e agradável"². Em março de 2006, foi fundado o Museu da Língua Portuguesa¹, em São Paulo, a cidade com o maior número de falantes do português em todo o mundo.

27/06/14

Correlações ss, sc e xc

EMPREGO DO DÍGRAFO SS 
  • CED – CESS. Ex.: ceder – cessão, interceder – intercessão; 
  • GRED – GRESS. Ex.: progredir – progressão, transgredir – transgressão; 
  • PRIM – PRESS. Ex.: imprimir – impressão, comprimir – compressão; 
  • UTIR, ITIR – SSÃO. Ex.: discutir – discussão, emitir – emissão; 
  • ETIR – ÇÃO. Ex.: competir – competição, repetir – repetição; 
  • PEL – PULS. Ex.: impelir – impulsão, repelir – repulsão; 
  • ND – NS. Ex.: ascender – ascensão, pretender – pretensão.

EMPREGO DO SC
  • A razão para algumas palavras apresentarem o dígrafo sc é puramente etimológica: crescer vem do latim crescere, nascer, do latim nascere;
  • Veja outras palavras escritas com sc: abscesso, abscissa, acréscimo, ascensorista, adolescente/adolescência, descer, arborescer, ascendente, ascensão, acréscimo, condescendente, consciência, crescer, descender/descendente, descer, discente, discernir, disciplina, discípulo, fascículo, fascínio, fascinar, florescer, intumescer, imprescindível, irascível, transcender, isósceles, juvenescer, miscigenação, miscível, nascer, obsceno, oscilar, piscina, plebiscito, prescindir, rejuvenescer, reminiscência, rescisão, ressuscitar, suscitar/suscetível, seiscentos, transcender, víscera.
EMPREGO DO XC
  • O emprego do xc também ocorre, geralmente, por razões etimológicas. Ex.: Excelência, excêntrico, exceto, exceção;
  • Outras palavras escritas com xc: excedente, exceder, excelente, excepcional, excesso, excetuar, excipiente, excitar.

A sílaba

A palavra gnomo e feldspato está dividida em grupos de fonemas pronunciados separadamente: gno-mo, felds-pa-to. Cada um desses grupos pronunciados numa só emissão de voz recebe o nome de sílaba

Na língua portuguesa, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: não existe sílaba sem vogal e nunca há mais do que uma vogal em  cada sílaba. Estas são as duas características de uma sílaba. Assim, para sabermos o número de sílabas de uma palavra, devemos perceber quantas vogais tem essa palavra. Atenção: as letras i e u (mais raramente com as letras e e o) podem representar semivogais.
Ex.: 
  • gnomo – palavra com 2 sílabas ( gno-mo, só possui 2 vogais);
  • feldspato – palavra com 3 sílabas (felds-pa-to, 3 vogais).
Logo, sílaba é o conjunto de um ou mais fonemas pronunciados num só impulso da voz. A sílaba é formada necessariamente com uma vogal, a que se agregam, ou não, semivogais ou consoantes. Logo, para ser sílaba tem que ter vogal.

Para Aldo Bizzocchi, "a definição do que seja uma vogal ou uma não vogal tem duas perspectivas: uma puramente fonética, que leva em conta tão somente as qualidades acústico-articulatórias do som; e outra de caráter fonológico, que toma por base as propriedades funcionais do fonema.
Pode-se dizer então que, foneticamente falando, i é uma vogal e s
uma consoante. Já do ponto de vista fonológico, i é vogal em "fiz" e semivogal (portanto não vogal) em "pai", assim como s é consoante em "sol" e soante (portanto funciona como vogal) na interjeição "psst". Em muitas línguas, a "vogal" da sílaba é, na verdade, um som consonantal (por exemplo, os nomes das cidades tchecas de Brno e Plzen ou o "n" do inglês didn't)."

NÚMERO DE SÍLABAS
As sílabas, agrupadas, formam palavras. De acordo com o número de sílabas que os formam, os vocábulos podem ser: 
  • monossílabas - formados por uma única sílaba: é, há, às, cá, mar, flor, quem, quão;
  • dissílabas - apresentam duas sílabas: a-í, a-li, de-ver, cle-ro, i-ra, sol-da, trans-por;
  • trissílabas - apresentam três sílabas: ca-ma-da, O-da-ir, pers-pi-caz, tungs-tê-nio, felds-pa-to,ca- va-lo;
  • polissílabas - apresentam quatro ou mais sílabas: bra-si-lei-ro, psi-co-lo-gi-a, a-ris-  to-cra-cia, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta, pa-ra-le-le-pi-pe-do.

Tonicidade

Tonicidade é uma propriedade da sílaba tônica, isto é, da sílaba que é pronunciada mais forte em uma palavra. A sílaba tônica de uma palavra pode ou não ser marcada com acentos gráficos, de acordo com as regras de acentuação.

Algumas sílabas, quanto a intensidade podem ser pronunciadas de maneira mais forte ou de maneira mais fraca. Existem sílabas fortes, chamadas sílabas tônicas e sílabas mais fracas, chamadas sílabas átonas, pronunciadas com menor intensidade.


SÍLABAS TÔNICAS
A sílaba tônica é a mais forte da palavra, pronunciada com mais intensidade que as outras. A palavra tônica existe em uma das três últimas sílabas e classificam-se quanto a sua posição em:
  • Oxítona – a sílaba tônica é a última. Ex.: gua-ra-, vo, tupi, manjar, urubu;
  • Paroxítona – a sílaba tônica é a penúltima. Ex.:-xi, ri, casa, mártir, rax; 
  • Proparoxítona – a sílaba tônica é a antepenúltima. Ex.: pró-po-lis, árvore, mpada, paralelepedo.
SÍLABA SUBTÔNICA
A sílaba subtônica são as sílabas tônicas da palavra primitiva, i. é., a palavra que deu origem a outra tinha uma sílaba tônica, mais forte, essa sílaba mais forte passará a ser subtônica na palavra derivada. Ex.: Se a sílaba tônica de café é , quando se forma cafezinho a palavra perde o acento, o que era a tônica de café passa a ser a subtônica de cafezinho, porque a tônica foi para o zin. Outro exemplo: taxímetro – a sílaba tônica é , e a subtônica, ta, porque ta era a tônica de táxi.


SÍLABAS ÁTONAS
As sílabas que não são tônicas nem subtônicas são chamam-se átonas, ou seja, são pronunciadas com menor intensidade. Podem ser pretônicas (se estiver antes da tônica)  ou postônicas (se estiver depois da tônica): 
  • barata (átona pretônica, tônica, átona postônica)
  • máquina (tônica, átona postônica, átona postônica)
  • cafezinho (átona pretônica, subtônica, tônica, átona postônica) 
MONOSSÍLABOS
Os monossílabos podem ser tônicos ou átonos: 
  • Tônicos: são autônomos, emitidos fortemente, como se fossem sílabas tônicas.Ex.: ré, teu, lá, etc.
  • Átonos: apóiam-se em outras palavras, pois  não são autônomos, são emitidos  fracamente, como se fossem sílabas átonas. São palavras sem sentido quando estão isoladas: artigos, pronomes oblíquos, preposições, junções de preposições e artigos, conjunções, pronome relativo que. Ex.: o, lhe, nem, etc.
É importante lembrar a real diferença entre acentuação tônica e acentuação gráfica. Acentuação tônica é a força com que se pronuncia uma determinada sílaba, sem necessariamente haver a presença do acento gráfico. A acentuação gráfica é exatamente a forma que se representa graficamente essa força, essa maior ênfase na pronúncia da sílaba.


PROSÓDIA
A Prosódia trata da correta posição da sílaba tônica da palavra. Deve-se pronunciar corretamente a sílaba tônica de uma palavra oxítona, paraxítona ou proparoxítona. Ex.: a palavra recorde é proparoxítona e não paroxítona, portanto, deve ser pronunciada "recórde" e não "récorde"; a palavra rubrica é paroxítona e não proparoxítona (pronuncia-se "rubríca" e não "rúbrica"); ibero é paroxítona e não proparoxítona ( deve-se pronunciar "ibéro" e não "íbero"). Se essas palavras fossem proparoxítona todas elas teriam acento gráfico, porque, por regra, todas as proparoxítonas são acentuadas. Ao erro prosódico dá-se o nome de silabada. 
Pronúncia correta de algumas palavras:
  • Oxítonas: cateter, ruim, ureter, Nobel, mister;
  • paroxítonas: avaro, austero, aziago, ciclope, filantropo, pudico, juniores, dúplex, tex, têxtil;
  • aelito, ínterim, aete, varo, crisântemo, molito, transfuga.
Há palavras que admitem dupla pronúncia, veja algumas:
Ajax / Ajax, apata / alopata, adrido / anidrido, acróbata / acrobata, biópsia / biopsia, crisântemo / crisantemo, rio / Dario, Gândavo/ Gandavo, hieglifo/ hieroglifo, Madascar/ Madagascar, Oceânia / Oceania, ortoépia / ortoepia, omoro / oximoro, protil / projetil, ptil / reptil, ror / soror, transistor / transistor, rox / xerox.

Regras de separação de sílabas

A divisão silábica consiste na identificação e delimitação das sílabas de cada palavra. O conhecimento das regras de divisão silábica é útil para a translineação das palavras, ou seja, para separá-las no final das linhas. 

Quando houver necessidade da divisão, ela deve ser feita de acordo com as regras abaixo. Por motivos estéticos e de clareza, devem-se evitar vogais isoladas no final ou no início de linhas, como a-sa ou Urugua-i.

Entre as diversas regras existentes, destacam-se:
Regra geral: Toda sílaba, obrigatoriamente, possui uma vogal.
Regras práticas:
  • ditongos e tritongos pertencem a uma única sílaba: au-tô-no-mo, ou-to-no, di-nhei-ro, sal-dar, dês-mai-a-do, U-ru-guai, i-guais, quais-quer, u-ru-guai-a-na;
  • Separam-se grupos formados por ditongo decrescente + vogal (aia, eia, oia, uia, aie, eie, oie, uie, aio, eio, oio, uio, uiu). Ex.: prai-a, tei-a, jói-a, sa-bo-rei-e, es-tei-o, ar-roi-o, com-lui-o, tui-ui-ú. Não confunda com tritongo: tritongo é o encontro de uma semivogal com uma vogal e outra semivogal (SV+V+SV);
  • os hiatos são separados em duas sílabas: du-e-to, a-mên-do-a, ca-a-tin-ga, sa-ú-de, flu-ir;
  • os dígrafos ch, lh, nh, gu e qu pertencem a uma única sílaba: chu-va, mo-lha, es-ta-nho, guel-ra, a-que-la, to-cha, fi-lha, ni-nho, que-rer, guei-xa;
  • as letras que formam os dígrafos rr, ss, sc, , xs, e xc devem ser separadas: bar-ro, as-sun-to, des-cer, nas-ço, es-xu-dar, ex-ce-to, car-ro, nas-cer, dês-ço, ex-ces-so;
  • os encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas devem ser separados, excetuando-se aquelas em que a segunda consoante é l ou r: Ex.: ab-do-me, sub-ma-ri-no, ap-ti-dão, dig-no, con-vic-ção, as-tu-to, ap-to, cír-cu-lo, ad-mi-tir, ob-tu-rar; a-pli-ca-ção, a-pre-sen-tar, a-brir, re-tra-to, de-ca-tlo. Exceção: ab-rup-to;
  • Os grupos consonantais que iniciam palavras não são separáveis: Ex.: gnós-ti-co, pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co. Lembre-se! Não há sílaba sem vogal;
  • Separam-se as vogais idênticas aa, ee, ii, oo, uu e os grupos consonantais cc, cç. Ex.: Sa-a-ra, com-pre-em-do, xi-i-ta, vo-o, pa-ra-cu-u-ba; oc-ci-pi-tal, in-te-lec-ção;
  • Na divisão silábica, não se levam em conta os elementos mórficos das palavras (prefixos, radicais, sufixos: in, a, dês, intra, pré, supra, semi, etc.). Ex.: de-sa-ten-to, di-sen-te-ri-a, tran-sa-tlân-ti-co, su-ben-ten-di-do. Uma vez incorporado à alguma palavra, esses elementos mórficos passam a fazer parte da nova palavra. Portanto, obedecem às regras gerais;
  • Nunca uma sílaba terminará em consoante se a seguinte se iniciar por vogal. A consoante sempre se ligará à vogal subsequente. Ex.: sub-lin-gual, su-ben-tem-der, dis-fun-ção, di-sen-te-ri-a, su-per-mer-ca-do, su-pe-ra-mi-go;
Na translineação (partição das palavras em fim de linha), além das normas estabelecidas para a divisão silábica, seguir-se-ão os seguintes critérios:  
  • Dissílabos como ai, sai, ato, rua, ódio, unha, etc., não devem ser partidos, para que uma letra não fique isolada no fim ou no início da linha;
  • Na partição de palavras de mais de duas sílabas, não se isola sílaba de uma só vogal: agos-to (e não a-gosto), La-goa (e não lago-a), ida-de (e não i-dade);
  • Na partição de compostos hifenizados, ao translinear, repetir-se-á o hífen quando a seção da palavra coincidir com o final de um dos elementos do vocábulo composto. (cf. Novo acordo Ortográfico da Língua Portuguesa). Ex.: saca-/-rolhas, melão-de-/-são-caetano, Maria-vai-/-com-as-outras.
  • Não se deve, em final ou início de linha, quando a separação for efetivada, formar-se palavra estranha ao contexto. Não quer dizer aqui que essas separações silábicas sejam erradas; é uma simples questão de elegância de estilo. Ex.: presi-/-dente, samam-/-baia.

Sinais gráficos ou diacríticos

A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos sinais escritos sobre ou sob determinadas letras, geralmente para lhes dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras. Entre estes sinais estão os diversos acentos gráficos ou diacríticos, tais como:


SINAIS GRÁFICOS OU DIACRÍTICOS

  • Acento grave ( ` ) – utilizado para indicar a crase. Ex.: Cláudia foi à biblioteca. a (preposição) + a (artigo) = à;    
  • Acento agudo ( ´ ) - colocado sobre as letras a, i, u e sobre o e do grupo em, indica que essas letras representam as vogais tónicas / tônicas da palavra: carcará, caí, armazém. Sobre as letras e e o, indica, além de tonicidade, timbre aberto: lépido, céu, léxico; 
  • Acento circunflexo ( ^ ) - colocado sobre as letras a, e e o, indica, além de tonicidade, timbre fechado: lâmpada, pêssego, supôs, Atlântico;    
  • Til ( ~ ) – usado sobre as letras A e O, para indicar nasalização dessas vogais. Ex.: pão, põe, alemã, órgão, portão, expõe, corações, ímã;    
  • Cedilha ( ç ) – usada sob a letra c, antes de a, o e u na representação do som /se/. Ex.: maçã, Açu etc. apóstrofo – usado para indicar a supressão de um fonema (geralmente de uma vogal). Ex.: mãe-d’água. Pau-d’alho, pingo d’ouro etc.;    
  • Trema ( ¨ ) - é aplicado em palavras estrangeiras. Exemplos: Müller, mülleriano (abolido pelo Novo Acordo Ortográfico, exceto nas palavras estrangeiras);    
  • Apóstrofo ( ' ) – Indica a supressão de uma vogal. Pode existir em palavras compostas, expressões e poesias. Exemplos: caixa-d'água, pau-d'água, etc;    
  • Hífen ( - ) "O hífen é um sinal de pontuação usado para ligar os elementos de palavras compostas (couve‐flor; ex‐presidente) e para unir pronomes átonos a verbos (ofereceram‐me; vê‐lo‐ei). Serve igualmente para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca‐/-sa; compa‐/-nheiro)" (WikipédiaAcessado em 01 de novembro de 2011.). O hífen também é usado para separar sílabas de palavras (ca-si-nha, me-lan-có-li-co).

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