Gramática - conceito, tipos e suas divisões

Sempre existiu um grande debate sobre a real importância da Gramática no aprendizado de uma língua. 


O certo é que, o quanto você deve enfatizar de Gramática no seu aprendizado depende do seu objetivo ao aprender a língua. Falar bem? Dar aulas? Passar em um concurso? Neste último caso, aprender bem a Gramática é essencial para estar entre os aprovados.

A maioria das pessoas costuma ter problemas com a Gramática — sabem um pouco, sabem mais ou menos ou têm algumas dúvidas. Poucas dominam as regras. Uma das razões para isso é a de que a gramática nem sempre é ensinada no momento ou com a metodologia adequada e tem-se uma experiência negativa com seu estudo. Além das limitações naturais, o problema muitas vezes é agravado pela inabilidade dos professores — geralmente presos a um currículo rígido.

O fato é que a maioria das pessoas ainda guarda a impressão de que gramática é uma porção de regras chatas que precisam ser decoradas. Mas não é nada disso: Há lógica nas normas gramaticais e uma coerência fascinante, que é, aliás, a própria beleza da língua. Neste blog abordaremos os principais assuntos gramaticais que constam nos editais de Concursos Públicos de maneira simples e objetiva.
Nosso objetivo é descomplicar o estudo da Gramática e possibilitar aos estudantes o conhecimento das regras de funcionamento da Língua Portuguesa, quanto aos aspectos fonológico, morfológico, sintático, semântico e estilístico.

Conceito e tipos de gramática
O iDicionário Aulete, lista e conceitua os seguintes tipos de Gramáticas:
  • Gramática comparada/comparativa - "Parte da linguística que compara as estruturas morfológicas e fonéticas de línguas diferentes, ou de estágios diferentes de uma mesma língua";
  • Gramática descritiva - "A gramática tradicional de uma língua em um momento (sincrônica).Descrição completa e objetiva de todos os elementos de uma língua em um momento (sincrônica), em qualquer de suas variantes, tais como se apresentam nos enunciados produzidos, numa dessas variantes, por qualquer grupo de seus falantes nativos, sem filtros, críticas, correções etc. provindos de outras variantes possíveis; gramática expositiva";
  • Gramática gerativa/generativa - "Descrição de uma língua segundo um modelo formal de regras fixas e explícitas, capaz de gerar todas as - e somente - frases gramaticais dessa língua.Especificamente, teoria sintática gerativista do filólogo Noam Chomsky";
  • Gramática histórica - "A parte da gramática que trata da evolução histórica dos sistemas de uma língua (fonético, morfológico, gramatical)";
  • Gramática normativa - "Estudo dos elementos de uma língua a partir de normas que não podem ser transgredidas, e que determinam o que usar e o que não usar, como e como não usar, estabelecendo com isso um padrão de correção a ser observado no que considerar falar e escrever bem; gramática prescritiva";
  • Gramática prescritiva - "Ver Gramática normativa e Gramática tradicional. Modelo de estudo dos elementos de uma língua originado no do grego e do latim, e anterior à linguistica";
  • Gramática transformacional - "A gramática gerativa, nela considerada também a ideia de transformação da língua de sua estrutura profunda (a noção abstrata do que ela quer exprimir) para sua estrutura superficial (o uso efetivo se seus elementos, em nível de frase - palavras. elementos e estrutura sintática -, para expressá-lo)";
  • Gramática universal - "Na visão do filólogo Noam Chomsky, a faculdade do homem que permite, em certa fase de seu desenvolvimento mental e o de seu contexto social, adquirir a linguagem materna (a que esteve exposto nos estágios mentais iniciais da vida). Conjunto de princípios universais aos quais se condicionam a forma e o funcionamento de qualquer gramática".
Neste blog, iremos estudar apenas a Gramática normativa, pois esta é a Gramática cobrada nos concursos, vestibulares e Enem. A Gramática Normativa, como já vimos, é a "que busca ditar, ou prescrever, as regras gramaticais de uma língua, posicionando as suas prescrições como a única forma correta de realização da língua, categorizando as outras formas possíveis como erradas" (Wikipédia) .

A Gramática Normativa estabelece a norma culta, ou seja, o padrão linguístico que, socialmente, é considerado como modelo. Em síntese, aponta as regras para se falar e escrever corretamente, fixa os padrões do certo ou errado, as normas cultas, fixa o padrão formal da linguagem através do estudo das regras de funcionamento da língua, quanto aos aspectos fonológico, morfológico, sintático, semântico e estilístico.

Bem diferente da Gramática normativa, a Gramática descritiva descreve e analisa a língua utilizada por um determinado grupo de pessoas num dado momento histórico. Propõe-se a descrever as regras da língua falada, não levando em conta o conceito de “certo” ou “errado”, uma vez que não são os gramáticos que fazem a língua, e sim, o povo. Estuda, do ponto de vista histórico, as manifestação linguística de um determinado grupo de falantes. Trata das variações linguísticas, das ocorrências de linguagem, como o modo de falar de cada região (nordeste, mineiro, bahiano); variações diatrásticas (classes sociais), variações diatópicas (de acordo com a região, com a geografia do lugar).

Divisões da Gramática
Sabe-se que a língua é um sistema tríplice: compreende um sistema de formas (mórfico), um sistema de frases (sintático) e um sistema de sons (fônico). Por essa razão, a Gramática tradicionalmente divide-se em três partes básicas e em duas partes complementares:
  • Fonética/Fonologia (focaliza o sistema fônico) - Estuda os sons da fala (fonemas), a correta pronúncia dos vocábulos (ortoépia e a prosódia, partes integrantes da ortofonia) e a escrita correta das palavras (ortografia),
  • Morfologia (abrange o sistema mórfico) - Parte da gramática que trata do estudo da estrutura das palavras, dos processos de formação de palavras e do estudo das classes gramaticais. As classes gramaticais são as seguintes: Substantivo, Artigo, Adjetivo, Numeral, Pronome, Verbo, Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição.
  • Sintaxe (enfoca o sistema sintático)- Parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e das frases no discurso, incluindo a sua relação lógica, entre as múltiplas combinações possíveis para transmitir um significado completo e compreensível.
  • Semântica – “Estuda o significado e a interpretação do significado de uma palavra, de um signo, de uma frase ou de uma expressão em um determinado contexto. Nesse campo de estudo se analisa, também, as mudanças de sentido que ocorrem nas formas linguísticas devido a alguns fatores, tais como tempo e espaço geográfico” (Só Português).
  • Estilística – “Segundo o dicionário Houaiss, é a arte de escrever de forma apurada, elegante. Para outros estudiosos, é a disciplina que estuda os recursos expressivos que individualizam os estilos. Podendo, ainda, ser definida como uma conexão histórica entre a Poética e a Retórica” (Português).
Neste blog trataremos de cada uma dessas partes em separado, buscando clareza e objetividade na escrita.

E Você?
Qual é o seu objetivo ao estudar Gramática? Falar bem? Dar aulas? Passar em um concurso público? Qual a sua opinião sobre a Gramática Normativa? Ela facilita ou dificulta o aprendizado da Língua?

Língua Portuguesa: última flor do lácio

“Última flor do Lácio,
Inculta e bela,
És, a um tempo,
Esplendor e sepultura
[...]”.
(Bilac, Olavo)



No poema Língua Portuguesa, o autor parnasiano Olavo Bilac faz uma abordagem sobre o histórico da Língua Portuguesa.

Lácio é uma região na Itália central onde se falava Latim, a língua do Império Romano. Muitas línguas derivaram do Latim, como o francês, o espanhol e o italiano; a última delas foi o português. Com a metáfora "última flor do lácio, inculta e bela", Olavo Bilac refere-se ao fato de que a Língua Portuguesa foi a última língua neolatina descendente do latim vulgar, falado pelos soldados da região italiana do Lácio.

A Língua Portuguesa é a Língua que reflete nossa cultura, a Língua na qual nós construímos nossas identidades, com a qual nós nos manifestamos. Por isso Bilac, lá no finalzinho do século XIX dizia que a Língua Portuguesa é nosso esplendor, é nossa glória; sem a nossa Língua nós não seríamos o que somos. Na América do Sul o Brasil é o único país que fala português. Por isso, o português tem um certo aspecto de isolamento, daí a razão de o poeta chamá-lo de sepultura.

Podemos também entender que no segundo verso, há um paradoxo: “És a um tempo, esplendor e sepultura”. “Esplendor”, porque uma nova língua estava nascendo, ascendendo, dando continuidade ao latim. “Sepultura” porque, a partir do momento em que a Língua Portuguesa vai sendo usada e se expandindo pelo mundo, o latim vai caindo em desuso, morrendo.

História da Língua Portuguesa
Língua Portuguesa - a última flor do lácio"À medida que Roma conquistava novos povos, obrigava o uso do latim como língua oficial por toda a extensão do Império Romano. Havia duas espécies de latim: o clássico, falado e escrito pelas pessoas cultas, e o vulgar, apenas falado pelo povo. A modalidade imposta aos vencidos era o latim vulgar e, como os povos vencidos eram diversos e falavam línguas diferenciadas, o latim sofreu alterações distintas em toda região, o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas. 

Após as invasões, com as influência e modificações do latim, diversa línguas e dialetos foram constituídos, como o catalão o castelhano e o galego-português. O galego-português, resultante do romanço, era uma língua falada na faixa ocidental da Península Ibérica (atual território da Galícia e do norte de Portugal), mas, à medida que as suas fronteiras adentravam o sul, esse dialeto alterou-se e acabou predominando. Assim, o galego desenvolveu-se como variante do espanhol, e o português, como a língua de uma nova nação (com os primeiros documentos redigidos nessa língua)."¹

O Português se difundiu pelo mundo no período da navegação, período em que Portugal vivia um tempo de proeminência na política e na economia européia, no século XVI, XVII, os navios portugueses singraram os mares levando consigo a Língua Portuguesa. 

"A língua portuguesa chega ao Brasil com a colonização, o tupi foi usado como língua geral na colônia, ao lado do português, graças aos jesuítas que estudaram e difundiram a língua. Em 1757, o tupi foi proibido por uma Provisão Real. Com a expulsão dos jesuítas, em 1759, o português fixou-se definitivamente como língua no Brasil."²

Atualmente, a Língua Portuguesa é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, a grande maioria - quase 200 milhões - no Brasil. Falado nos cinco continentes, o português é a língua oficial de dez países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Ilha da Madeira, Arquipélago de Açores, São Tomé e Príncipe e Timor.

O português é conhecido como "a língua de Camões" (em homenagem ao escritor português Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas) e "a última flor do Lácio" (expressão usada no soneto Língua Portuguesa, de Olavo Bilac. Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considerava o idioma "doce e agradável"². Em março de 2006, foi fundado o Museu da Língua Portuguesa¹, em São Paulo, a cidade com o maior número de falantes do português em todo o mundo.

Correlações ss, sc e xc

EMPREGO DO DÍGRAFO SS 

  • CED – CESS. Ex.: ceder – cessão, interceder – intercessão; 
  • GRED – GRESS. Ex.: progredir – progressão, transgredir – transgressão; 
  • PRIM – PRESS. Ex.: imprimir – impressão, comprimir – compressão; 
  • UTIR, ITIR – SSÃO. Ex.: discutir – discussão, emitir – emissão; 
  • ETIR – ÇÃO. Ex.: competir – competição, repetir – repetição; 
  • PEL – PULS. Ex.: impelir – impulsão, repelir – repulsão; 
  • ND – NS. Ex.: ascender – ascensão, pretender – pretensão.
EMPREGO DO SC
  • A razão para algumas palavras apresentarem o dígrafo sc é puramente etimológica: crescer vem do latim crescere, nascer, do latim nascere;
  • Veja outras palavras escritas com sc: abscesso, abscissa, acréscimo, ascensorista, adolescente/adolescência, descer, arborescer, ascendente, ascensão, acréscimo, condescendente, consciência, crescer, descender/descendente, descer, discente, discernir, disciplina, discípulo, fascículo, fascínio, fascinar, florescer, intumescer, imprescindível, irascível, transcender, isósceles, juvenescer, miscigenação, miscível, nascer, obsceno, oscilar, piscina, plebiscito, prescindir, rejuvenescer, reminiscência, rescisão, ressuscitar, suscitar/suscetível, seiscentos, transcender, víscera.
EMPREGO DO XC
  • O emprego do xc também ocorre, geralmente, por razões etimológicas. Ex.: Excelência, excêntrico, exceto, exceção;
  • Outras palavras escritas com xc: excedente, exceder, excelente, excepcional, excesso, excetuar, excipiente, excitar.

A sílaba

A palavra gnomo e feldspato está dividida em grupos de fonemas pronunciados separadamente: gno-mo, felds-pa-to. Cada um desses grupos pronunciados numa só emissão de voz recebe o nome de sílaba

Na língua portuguesa, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: não existe sílaba sem vogal e nunca há mais do que uma vogal em  cada sílaba. Estas são as duas características de uma sílaba. Assim, para sabermos o número de sílabas de uma palavra, devemos perceber quantas vogais tem essa palavra. Atenção: as letras i e u (mais raramente com as letras e e o) podem representar semivogais.
Ex.: 
  • gnomo – palavra com 2 sílabas ( gno-mo, só possui 2 vogais);
  • feldspato – palavra com 3 sílabas (felds-pa-to, 3 vogais).
Logo, sílaba é o conjunto de um ou mais fonemas pronunciados num só impulso da voz. A sílaba é formada necessariamente com uma vogal, a que se agregam, ou não, semivogais ou consoantes. Logo, para ser sílaba tem que ter vogal.

Para Aldo Bizzocchi, "a definição do que seja uma vogal ou uma não vogal tem duas perspectivas: uma puramente fonética, que leva em conta tão somente as qualidades acústico-articulatórias do som; e outra de caráter fonológico, que toma por base as propriedades funcionais do fonema.
Pode-se dizer então que, foneticamente falando, i é uma vogal e s
uma consoante. Já do ponto de vista fonológico, i é vogal em "fiz" e semivogal (portanto não vogal) em "pai", assim como s é consoante em "sol" e soante (portanto funciona como vogal) na interjeição "psst". Em muitas línguas, a "vogal" da sílaba é, na verdade, um som consonantal (por exemplo, os nomes das cidades tchecas de Brno e Plzen ou o "n" do inglês didn't)."

NÚMERO DE SÍLABAS
As sílabas, agrupadas, formam palavras. De acordo com o número de sílabas que os formam, os vocábulos podem ser: 
  • monossílabas - formados por uma única sílaba: é, há, às, cá, mar, flor, quem, quão;
  • dissílabas - apresentam duas sílabas: a-í, a-li, de-ver, cle-ro, i-ra, sol-da, trans-por;
  • trissílabas - apresentam três sílabas: ca-ma-da, O-da-ir, pers-pi-caz, tungs-tê-nio, felds-pa-to,ca- va-lo;
  • polissílabas - apresentam quatro ou mais sílabas: bra-si-lei-ro, psi-co-lo-gi-a, a-ris-  to-cra-cia, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta, pa-ra-le-le-pi-pe-do.

Tonicidade

Tonicidade é uma propriedade da sílaba tônica, isto é, da sílaba que é pronunciada mais forte em uma palavra. A sílaba tônica de uma palavra pode ou não ser marcada com acentos gráficos, de acordo com as regras de acentuação.

Algumas sílabas, quanto a intensidade podem ser pronunciadas de maneira mais forte ou de maneira mais fraca. Existem sílabas fortes, chamadas sílabas tônicas e sílabas mais fracas, chamadas sílabas átonas, pronunciadas com menor intensidade.


SÍLABAS TÔNICAS
A sílaba tônica é a mais forte da palavra, pronunciada com mais intensidade que as outras. A palavra tônica existe em uma das três últimas sílabas e classificam-se quanto a sua posição em:
  • Oxítona – a sílaba tônica é a última. Ex.: gua-ra-, vo, tupi, manjar, urubu;
  • Paroxítona – a sílaba tônica é a penúltima. Ex.:-xi, ri, casa, mártir, rax; 
  • Proparoxítona – a sílaba tônica é a antepenúltima. Ex.: pró-po-lis, árvore, mpada, paralelepedo.
SÍLABA SUBTÔNICA
A sílaba subtônica são as sílabas tônicas da palavra primitiva, i. é., a palavra que deu origem a outra tinha uma sílaba tônica, mais forte, essa sílaba mais forte passará a ser subtônica na palavra derivada. Ex.: Se a sílaba tônica de café é , quando se forma cafezinho a palavra perde o acento, o que era a tônica de café passa a ser a subtônica de cafezinho, porque a tônica foi para o zin. Outro exemplo: taxímetro – a sílaba tônica é , e a subtônica, ta, porque ta era a tônica de táxi.


SÍLABAS ÁTONAS
As sílabas que não são tônicas nem subtônicas são chamam-se átonas, ou seja, são pronunciadas com menor intensidade. Podem ser pretônicas (se estiver antes da tônica)  ou postônicas (se estiver depois da tônica): 
  • barata (átona pretônica, tônica, átona postônica)
  • máquina (tônica, átona postônica, átona postônica)
  • cafezinho (átona pretônica, subtônica, tônica, átona postônica) 
MONOSSÍLABOS
Os monossílabos podem ser tônicos ou átonos: 
  • Tônicos: são autônomos, emitidos fortemente, como se fossem sílabas tônicas.Ex.: ré, teu, lá, etc.
  • Átonos: apóiam-se em outras palavras, pois  não são autônomos, são emitidos  fracamente, como se fossem sílabas átonas. São palavras sem sentido quando estão isoladas: artigos, pronomes oblíquos, preposições, junções de preposições e artigos, conjunções, pronome relativo que. Ex.: o, lhe, nem, etc.
É importante lembrar a real diferença entre acentuação tônica e acentuação gráfica. Acentuação tônica é a força com que se pronuncia uma determinada sílaba, sem necessariamente haver a presença do acento gráfico. A acentuação gráfica é exatamente a forma que se representa graficamente essa força, essa maior ênfase na pronúncia da sílaba.


PROSÓDIA
A Prosódia trata da correta posição da sílaba tônica da palavra. Deve-se pronunciar corretamente a sílaba tônica de uma palavra oxítona, paraxítona ou proparoxítona. Ex.: a palavra recorde é proparoxítona e não paroxítona, portanto, deve ser pronunciada "recórde" e não "récorde"; a palavra rubrica é paroxítona e não proparoxítona (pronuncia-se "rubríca" e não "rúbrica"); ibero é paroxítona e não proparoxítona ( deve-se pronunciar "ibéro" e não "íbero"). Se essas palavras fossem proparoxítona todas elas teriam acento gráfico, porque, por regra, todas as proparoxítonas são acentuadas. Ao erro prosódico dá-se o nome de silabada. 
Pronúncia correta de algumas palavras:
  • Oxítonas: cateter, ruim, ureter, Nobel, mister;
  • paroxítonas: avaro, austero, aziago, ciclope, filantropo, pudico, juniores, dúplex, tex, têxtil;
  • aelito, ínterim, aete, varo, crisântemo, molito, transfuga.
Há palavras que admitem dupla pronúncia, veja algumas:
Ajax / Ajax, apata / alopata, adrido / anidrido, acróbata / acrobata, biópsia / biopsia, crisântemo / crisantemo, rio / Dario, Gândavo/ Gandavo, hieglifo/ hieroglifo, Madascar/ Madagascar, Oceânia / Oceania, ortoépia / ortoepia, omoro / oximoro, protil / projetil, ptil / reptil, ror / soror, transistor / transistor, rox / xerox.

Regras de separação de sílabas

A divisão silábica consiste na identificação e delimitação das sílabas de cada palavra. O conhecimento das regras de divisão silábica é útil para a translineação das palavras, ou seja, para separá-las no final das linhas. 

Quando houver necessidade da divisão, ela deve ser feita de acordo com as regras abaixo. Por motivos estéticos e de clareza, devem-se evitar vogais isoladas no final ou no início de linhas, como a-sa ou Urugua-i.

Entre as diversas regras existentes, destacam-se:
Regra geral: Toda sílaba, obrigatoriamente, possui uma vogal.
Regras práticas:
  • ditongos e tritongos pertencem a uma única sílaba: au-tô-no-mo, ou-to-no, di-nhei-ro, sal-dar, dês-mai-a-do, U-ru-guai, i-guais, quais-quer, u-ru-guai-a-na;
  • Separam-se grupos formados por ditongo decrescente + vogal (aia, eia, oia, uia, aie, eie, oie, uie, aio, eio, oio, uio, uiu). Ex.: prai-a, tei-a, jói-a, sa-bo-rei-e, es-tei-o, ar-roi-o, com-lui-o, tui-ui-ú. Não confunda com tritongo: tritongo é o encontro de uma semivogal com uma vogal e outra semivogal (SV+V+SV);
  • os hiatos são separados em duas sílabas: du-e-to, a-mên-do-a, ca-a-tin-ga, sa-ú-de, flu-ir;
  • os dígrafos ch, lh, nh, gu e qu pertencem a uma única sílaba: chu-va, mo-lha, es-ta-nho, guel-ra, a-que-la, to-cha, fi-lha, ni-nho, que-rer, guei-xa;
  • as letras que formam os dígrafos rr, ss, sc, , xs, e xc devem ser separadas: bar-ro, as-sun-to, des-cer, nas-ço, es-xu-dar, ex-ce-to, car-ro, nas-cer, dês-ço, ex-ces-so;
  • os encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas devem ser separados, excetuando-se aquelas em que a segunda consoante é l ou r: Ex.: ab-do-me, sub-ma-ri-no, ap-ti-dão, dig-no, con-vic-ção, as-tu-to, ap-to, cír-cu-lo, ad-mi-tir, ob-tu-rar; a-pli-ca-ção, a-pre-sen-tar, a-brir, re-tra-to, de-ca-tlo. Exceção: ab-rup-to;
  • Os grupos consonantais que iniciam palavras não são separáveis: Ex.: gnós-ti-co, pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co. Lembre-se! Não há sílaba sem vogal;
  • Separam-se as vogais idênticas aa, ee, ii, oo, uu e os grupos consonantais cc, cç. Ex.: Sa-a-ra, com-pre-em-do, xi-i-ta, vo-o, pa-ra-cu-u-ba; oc-ci-pi-tal, in-te-lec-ção;
  • Na divisão silábica, não se levam em conta os elementos mórficos das palavras (prefixos, radicais, sufixos: in, a, dês, intra, pré, supra, semi, etc.). Ex.: de-sa-ten-to, di-sen-te-ri-a, tran-sa-tlân-ti-co, su-ben-ten-di-do. Uma vez incorporado à alguma palavra, esses elementos mórficos passam a fazer parte da nova palavra. Portanto, obedecem às regras gerais;
  • Nunca uma sílaba terminará em consoante se a seguinte se iniciar por vogal. A consoante sempre se ligará à vogal subsequente. Ex.: sub-lin-gual, su-ben-tem-der, dis-fun-ção, di-sen-te-ri-a, su-per-mer-ca-do, su-pe-ra-mi-go;
Na translineação (partição das palavras em fim de linha), além das normas estabelecidas para a divisão silábica, seguir-se-ão os seguintes critérios:  
  • Dissílabos como ai, sai, ato, rua, ódio, unha, etc., não devem ser partidos, para que uma letra não fique isolada no fim ou no início da linha;
  • Na partição de palavras de mais de duas sílabas, não se isola sílaba de uma só vogal: agos-to (e não a-gosto), La-goa (e não lago-a), ida-de (e não i-dade);
  • Na partição de compostos hifenizados, ao translinear, repetir-se-á o hífen quando a seção da palavra coincidir com o final de um dos elementos do vocábulo composto. (cf. Novo acordo Ortográfico da Língua Portuguesa). Ex.: saca-/-rolhas, melão-de-/-são-caetano, Maria-vai-/-com-as-outras.
  • Não se deve, em final ou início de linha, quando a separação for efetivada, formar-se palavra estranha ao contexto. Não quer dizer aqui que essas separações silábicas sejam erradas; é uma simples questão de elegância de estilo. Ex.: presi-/-dente, samam-/-baia.

Sinais gráficos ou diacríticos

A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos sinais escritos sobre ou sob determinadas letras, geralmente para lhes dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras. Entre estes sinais estão os diversos acentos gráficos ou diacríticos, tais como:
 
SINAIS GRÁFICOS OU DIACRÍTICOS

  • Acento grave ( ` ) – utilizado para indicar a crase. Ex.: Cláudia foi à biblioteca. a (preposição) + a (artigo) = à;    
  • Acento agudo ( ´ ) - colocado sobre as letras a, i, u e sobre o e do grupo em, indica que essas letras representam as vogais tónicas / tônicas da palavra: carcará, caí, armazém. Sobre as letras e e o, indica, além de tonicidade, timbre aberto: lépido, céu, léxico; 
  • Acento circunflexo ( ^ ) - colocado sobre as letras a, e e o, indica, além de tonicidade, timbre fechado: lâmpada, pêssego, supôs, Atlântico;    
  • Til ( ~ ) – usado sobre as letras A e O, para indicar nasalização dessas vogais. Ex.: pão, põe, alemã, órgão, portão, expõe, corações, ímã;    
  • Cedilha ( ç ) – usada sob a letra c, antes de a, o e u na representação do som /se/. Ex.: maçã, Açu etc. apóstrofo – usado para indicar a supressão de um fonema (geralmente de uma vogal). Ex.: mãe-d’água. Pau-d’alho, pingo d’ouro etc.;    
  • Trema ( ¨ ) - é aplicado em palavras estrangeiras. Exemplos: Müller, mülleriano (abolido pelo Novo Acordo Ortográfico, exceto nas palavras estrangeiras);    
  • Apóstrofo ( ' ) – Indica a supressão de uma vogal. Pode existir em palavras compostas, expressões e poesias. Exemplos: caixa-d'água, pau-d'água, etc;    
  • Hífen ( - ) "O hífen é um sinal de pontuação usado para ligar os elementos de palavras compostas (couve‐flor; ex‐presidente) e para unir pronomes átonos a verbos (ofereceram‐me; vê‐lo‐ei). Serve igualmente para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca‐/-sa; compa‐/-nheiro)" (WikipédiaAcessado em 01 de novembro de 2011.). O hífen também é usado para separar sílabas de palavras (ca-si-nha, me-lan-có-li-co).

Regras básicas de acentuação gráfica

PROPAROXÍTONAS
  • Acentuam-se todas as palavras proparoxítonas. Ex.: gico, anpoda, cânfora, mpada, rempago, Atlântico, trôpego, piter, cido, ótimo, víssemos, flácido.
PAROXÍTONAS
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
  • ã (s), ão (s). Ex.: ímã, órfã, ímãs, órfãs, bênção, órgão, órfãos, tãos;
  • ei (s), en. Ex.: nei(s), fen;
  • i (s). Ex.: ri, pis,xi, beriri, pis, grátis, ri;
  • om, ons. Ex.: iândom, íons, nêutron, prótons;
  • u(s), um, uns. Ex.: nus, álbum (uns);
  • ditongo oral (crescente ou decrescente) seguido ou não de s. Ex.: rie(s), água, árduo, nei / nei, ries, goas, quei, queis;
  • ps. Ex.: ceps, ceps, fórceps, Quéops;
  • consoantes da palavra RouXiNoL. Ex.: éter,tex, próton, cônsul, incrível, útil, ágil, cil, avel, éden, fen, len, éter, mártir, cater, revólver, destróier, rax, ónix / ônix, nix / nix.
Não se acentuam:
  • palavras paroxítonas terminados com em, ens. Ex.: nuvem, jovem, homens, itens;
  • os prefixos paroxítonos terminados em i e r. Ex.: anti, semi, super, inter. Os prefixos são morfemas que participam da formação de outras palavras.
OXÍTONAS
  • Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em a (s), e (s), o (s), mesmo quando seguidos de lo (s) e la (s). Ex.: (s), ca(s), ji(s); can-la(s), fa-la(s), -lo(s). Os pronomes lo, la, não fazem parte da palavra, somente complementam, por isso não são contados para efeito de sílaba tônica; o que vale é a regra: acentuam-se oxítonas terminadas em a, e, o, as, es, os.
  • Acentuam-se as oxítonas terminadas por em, ens (com duas ou mais sílabas). Ex.: armazém, ninguém, parabéns, reféns. É importante observar a diferença de oxítonas e monossílabos. Essas regras valem apenas para oxítonas.
  • Não se acentuam as oxítonas terminadas em u (s) ou i (s), quando não formam hiato: Ex.1: caju, bambu, tupi; reduzi-la, consegui-lo. Ex.2: açaí (a-ça-í), atraí-lo (a-tra-í-lo).
DITONGOS
  • Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em ditongo. Ex.: rie, gua, nue, nei, quei, órgão, tão;
  • Ditongos orais ei, oi, eu;
  • Acentuam-se apenas os ditongos de pronúncia aberta (éi, ói, éu), quando oxítonosoumonossílabos, seguidos ou não de s. Ex.1: réis, dói, céu (monossílabos); Ex.2: anéis, herói, fogaréu (oxítonos). Os ditongos fechados permanecem não acentuados.
  • Não acentuam-se os ditongos abertos quando tônicos, formando vocábulos paroxítonos. Ex.: ideia (i-dei-a), estreia (es-trei-a), heroico, paranoico, etc.
HIATOS
Não se acentuam mais:
  • O hiato oo(s) no final das palavras. Ex.: voo(s), perdoo, abençoo. Obs.: ál-co-ol e al-co-ó-li-co são proparoxítonas e o vocábulo oo não estão no final da palavra;
  • O hiato ee nas formas plurais dos verbos CRÊDÊLÊVÊ (crer, dar, ler e ver). Ex.: Ele crê / eles creem; ele / eles deem; ele / eles veem; ele / eles leem. Obs.: os verbos TER e VIR recebem acento circunflexo na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Ex.: ele tem/vem (singular), eles têm/vêm (plural).
  • Suas formas derivadas (entreter, conter, intervir, desavir, etc.) recebem acento agudo na 3ª pessoa do singular e acento circunflexo na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Ex.: ele contém/intervém (singular, eles contêm/intervêm).
  • Acentuam-se as vogais i e u tônicas dos hiatos, quando aparecerem sozinhas na sílaba ou acompanhadas pela letra s. Ex.: saída, país, saúde, baús. Não se acentuam, portanto, palavras como: ruim, amendoim, juiz, fluir, Pium, etc (o i e o u não estão sozinhos ou seguidos de s).
  • Não se acentuam as vogais i e u dos hiatos, quando seguidas do dígrafo nh. Ex.: Ra-i-nha, cam-pa-i-nha, etc.
  • Não se acentua as vogais i e u dos hiatos, quando precedidas de vogal idêntica. Ex.: xi-i-ta, co-rai-xi-i-ta, Pa-ra-cu-u-ba, etc.
  • Mas cuidado com as formas: fri-ís-si-mo (superlativas), e-qui-mi-í-deos; sil-vi-í-deos (paroxítonas com ditongo). São proparoxítonas (antepenúltima sílaba tônica), todas são acentuadas).
  • O novo Acordo Ortográfico aboliu o acento das vogais i e u tônicas isoladas na sílaba, formando vocábulos paroxítonos, quando precedidas de ditongo. Ex.: fei-u-ra, bai-u-ca, bo-cai-u-va, tec (não são hiatos – duas vogais separadas). Mas, permanecem acentuadas as suas ocorrências que formam vocábulos oxítonos. Ex.: tui-ui-ú, PI-au-í etc.